Arashi Gaiden chega à Steam com trailer inédito e oferta especial de lançamento

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O mercado de jogos nacionais avança de forma consistente, e Arashi Gaiden, lançado hoje na Steam, representa uma nova demonstração dessa evolução. Spin-off do premiado Pocket Bravery — primeiro jogo brasileiro indicado ao The Game Awards —, o título aposta em uma combinação inovadora: a integração da estratégia por turnos com ação em tempo real.

Desenvolvido em parceria pelos estúdios Statera Studio e Wired Dreams Studio, e publicado pela Nuntius Games, Arashi Gaiden oferece uma experiência dinâmica que desafia os jogadores a agir com rapidez e precisão, utilizando power-ups e estratégias em um ambiente em constante transformação. São sete fases principais, compostas por 20 cenários cada, totalizando mais de 140 desafios que exigem foco e habilidade.

Jonathan Silva, produtor do jogo e CEO da Nuntius Games, define o projeto como “mais que um jogo de ação por turnos; Arashi Gaiden combina ação estilizada, estratégia acelerada e uma narrativa carregada de emoção e profundidade”. Essa declaração evidencia a ambição da equipe: entregar não apenas mecânicas inovadoras, mas também uma história capaz de estabelecer uma conexão emocional com o jogador.

Entretanto, essa ousadia traz desafios. A mescla entre tempo real e estratégia por turnos exige uma curva de aprendizado considerável, que pode não agradar a todos os públicos. Encontrar o equilíbrio entre fluidez e profundidade tática representa um desafio especialmente relevante para o mercado brasileiro, ainda em processo de consolidação.

A oferta de lançamento com preço promocional é uma estratégia inteligente para ampliar o alcance do título, sobretudo diante da forte concorrência global. Além disso, Arashi Gaiden está previsto para ser lançado em breve para PlayStation, Xbox e Nintendo Switch, o que pode ampliar sua visibilidade, mas também aumentará as exigências técnicas e de adaptação.

Crítica | O Ritual – Entre o sagrado e o psicológico, um horror que flerta com a fé e a dúvida

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No vasto universo dos filmes de possessão, O Ritual se encaixa em um terreno já bem explorado, mas consegue, ainda assim, deixar uma marca própria. Com fortes influências de O Exorcista (1973), a obra busca equilibrar tradição e inovação ao contar mais uma história de fé, medo e perturbação mental. Apesar de não reinventar o gênero, o longa propõe reflexões interessantes ao fundir elementos religiosos com dilemas da psique humana, criando uma tensão que pulsa entre o sagrado e o profano, entre a crença e o ceticismo.

A narrativa gira em torno de Emma, uma jovem que começa a manifestar comportamentos inquietantes, colocando em xeque a linha entre possessão demoníaca e distúrbios mentais. Essa ambiguidade se torna o fio condutor do filme, e talvez o seu maior trunfo. Diferente de outras produções que apostam na explicação sobrenatural como única via, O Ritual prefere manter o espectador em dúvida — um gesto corajoso que enriquece o suspense e dá profundidade dramática à história.

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A dúvida como protagonista

Ao invés de escancarar a presença de um demônio desde os primeiros minutos, o roteiro opta por uma construção mais contida, deixando que os sinais se acumulem de forma gradual. Gritos noturnos, convulsões, frases em línguas antigas — tudo pode ter explicações médicas ou espirituais, e o filme não se apressa em entregar respostas.

Essa escolha é mais do que um artifício narrativo; é uma proposta temática. O Ritual convida o público a entrar na dúvida junto com os personagens, especialmente com as freiras que cuidam de Emma em um convento isolado. São mulheres de fé, mas também de mundo, que oscilam entre o instinto religioso e o bom senso científico. Essa complexidade nas figuras religiosas foge dos estereótipos comuns do gênero e confere à obra um peso simbólico maior.

Atuações que sustentam a tensão

O elenco, embora discreto, é competente. A jovem protagonista entrega um desempenho intenso e contido, sem cair no exagero comum aos papéis de “possuída”. Há uma angústia silenciosa em sua expressão que torna sua situação ainda mais enigmática. O público não sabe ao certo se está diante de uma vítima de forças malignas ou de uma mente em colapso — e isso funciona.

As freiras merecem destaque. Diferentes entre si em temperamento e fé, elas representam os diversos modos de lidar com o sobrenatural: a que acredita cegamente, a que reluta, a que investiga. Cada uma traz uma nuance ao debate silencioso que se trava dentro do convento. Em um gênero que costuma tratar religiosos como meros instrumentos narrativos, é revigorante ver personagens eclesiásticas com personalidade, dúvidas e humanidade.

Estética e atmosfera: um acerto visual

Visualmente, O Ritual é belo em sua escuridão. Os corredores estreitos do convento, a iluminação natural das velas, os vitrais filtrando a luz — tudo coopera para criar uma atmosfera opressiva e sagrada ao mesmo tempo. Há um cuidado estético que aproxima o longa de um terror mais autoral, quase gótico, evocando sensações que vão além do susto.

Os efeitos visuais cumprem seu papel. Não há abusos em CGI, e os momentos mais “fantásticos” são contidos o suficiente para manter a dúvida plausível. Quando surgem, são bem executados: sombras que se movem sutilmente, objetos que vibram sem explicação, vozes que sussurram em latim. O problema está quando o filme recorre ao manual do terror contemporâneo: corpos se contorcendo, sangue jorrando, olhos virando — cenas que, embora esperadas, destoam da elegância do restante da obra e soam forçadas ou caricatas.

A câmera como inimiga

Se há um ponto que realmente compromete a experiência, ele está na direção de fotografia — mais precisamente na movimentação da câmera. Em muitos momentos, especialmente nas cenas de tensão, o filme opta por uma câmera tremida, próxima do estilo found footage, que pretende intensificar o caos e a urgência, mas acaba apenas desorientando. A intenção é compreensível: mergulhar o espectador na confusão dos personagens. Mas na prática, o excesso dessa técnica tira o foco da cena e pode causar desconforto visual que não tem relação com o horror pretendido.

Em uma obra que aposta tanto na ambiguidade e na construção lenta da tensão, uma câmera mais estática, que permitisse ao espectador observar e refletir, teria sido mais eficiente. A tentativa de copiar fórmulas de sucesso, como em A Bruxa de Blair ou Atividade Paranormal, aqui parece fora de lugar.

Psicologia versus fé: um debate silencioso

O grande mérito de O Ritual é provocar reflexão. Mesmo com alguns deslizes de execução, o filme acerta ao deixar o espectador inquieto, não pelos sustos, mas pelas perguntas. Emma está realmente possuída? Ou é uma vítima do abandono emocional e da pressão religiosa? As freiras são santas ou cúmplices de um ritual de negação da ciência?

Esse embate entre fé e razão — velho como a humanidade — é encenado com certa sofisticação. O filme não oferece respostas fáceis. E talvez por isso incomode tantos. Há espectadores que saem decepcionados justamente por não obterem uma explicação clara. Mas talvez essa seja a maior força da obra: assumir que, em algumas experiências humanas, não há conclusões definitivas.

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A experiência que depende de quem assiste

É curioso observar que grande parte das críticas negativas ao filme vêm de dois tipos de público: os que esperavam um terror mais tradicional, com sustos constantes e vilões claramente definidos; e os que preferem obras mais ousadas e experimentais, como Hereditário ou O Babadook. O Ritual está em um ponto intermediário, o que pode gerar frustração para quem queria mais sustos ou mais complexidade.

No entanto, para quem entra na sala com abertura para um terror atmosférico, que valoriza o não-dito e aposta em simbolismos, o filme oferece uma experiência instigante. Não é uma revolução no gênero, mas é um passo firme em direção a uma narrativa de horror mais madura e introspectiva.

Um ritual que vale o risco

O Ritual não é o melhor filme de possessão já feito — longe disso. Mas também não é um fracasso, como algumas críticas mais duras sugerem. Ele encontra força em sua ambiguidade, constrói uma atmosfera envolvente e conta com atuações competentes, especialmente entre as personagens femininas.

Seu maior erro está em tentar abraçar estilos que não condizem com sua proposta mais reflexiva. A câmera tremida e alguns clichês visuais atrapalham o ritmo e tiram a força de cenas importantes. Mas o saldo final ainda é positivo.

Se você está em busca de um terror que assusta menos pelo que mostra e mais pelo que sugere, O Ritual pode ser uma boa escolha. Assista com calma, com a mente aberta — e com o coração pronto para duvidar do que vê.

Wagner Moura vence prêmio de Melhor Performance por O Agente Secreto no Newport Beach Film Festival

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O Brasil voltou a ocupar um lugar de destaque no cenário do cinema mundial. Na última quarta-feira (5), o ator Wagner Moura (Tropa de Elite, Narcos e Guerra Civil) foi consagrado com o prêmio de Melhor Performance por sua atuação em O Agente Secreto, durante o Newport Beach Film Festival, realizado anualmente na Califórnia. As informações são do Omelete.

Entre produções de Hollywood e nomes consagrados da indústria, ver um ator brasileiro subir ao pódio em um festival americano é motivo de orgulho. Wagner foi homenageado na categoria de Honrarias do Festival, e sua premiação simboliza o alcance global de um cinema que fala sobre o Brasil — mas emociona o mundo inteiro.

O filme que conquistou Cannes e agora a Califórnia

O longa-metragem vem acumulando conquistas desde sua estreia mundial no Festival de Cannes 2025, onde foi ovacionado por mais de 10 minutos e saiu com quatro prêmios — incluindo Melhor Ator (Wagner Moura) e Melhor Diretor (Kleber Mendonça Filho). A produção também levou o Prêmio FIPRESCI, concedido pela crítica internacional, e o Prix des Cinémas d’Art et Essai, da Associação Francesa de Cinemas de Arte (AFCAE).

Agora, o longa repete o sucesso nos Estados Unidos, reforçando o nome de Kleber Mendonça Filho como um dos diretores mais respeitados da atualidade. Produzido pela CinemaScópio, o filme teve estreia nos cinemas brasileiros em 6 de novembro de 2025 e foi escolhido para representar o Brasil na corrida pelo Oscar 2026 — a terceira vez que uma obra do diretor representa o país.

Um thriller político com alma brasileira

Ambientado no Recife de 1977, o filme mistura drama, suspense e crítica política para contar a história de Marcelo (Wagner Moura), um professor universitário e especialista em tecnologia que retorna à cidade natal após anos afastado. Carregando um passado misterioso e perigoso, ele tenta se reconectar com o filho pequeno e reconstruir a vida, mas encontra um país em plena ditadura militar, marcado pela repressão, pela vigilância e pelo medo.

Marcelo passa a viver como fugitivo, tentando escapar de um conflito antigo com um poderoso industrial ligado ao regime. Em sua fuga, encontra abrigo com dissidentes políticos e refugiados angolanos, liderados por Dona Sebastiana, uma mulher que simboliza resistência e coragem.

Um elenco de peso e uma produção meticulosa

Além de Wagner Moura, o elenco de O Agente Secreto reúne nomes que reforçam a força dramática e simbólica da obra. Tânia Maria (Bacurau), Maria Fernanda Cândido (Através da Janela), Gabriel Leone (Ferrari), Alice Carvalho (Cangaço Novo), Udo Kier (Melancholia) e Thomás Aquino (Bacurau) compõem um conjunto de atuações que traduzem o mosaico político, emocional e humano que o roteiro desenha com precisão.

A fotografia é assinada por Dion Beebe (Memórias de uma Gueixa), vencedor do Oscar, que transforma a luz do Recife em mais do que um pano de fundo — ela se torna uma linguagem. A luz quente e vibrante do dia contrasta com o frio das sombras noturnas, revelando o clima de constante ameaça que paira sobre os personagens.

De Pernambuco para o mundo

Com cada nova exibição, O Agente Secreto reafirma a força do cinema brasileiro como instrumento de resistência, memória e expressão artística. A conquista de Wagner Moura na Califórnia representa mais do que um prêmio individual — é o reconhecimento de um cinema que encara suas próprias feridas e as transforma em arte, emoção e reflexão. E talvez seja justamente essa coragem de olhar para dentro que faz o filme tocar o público onde quer que esteja. O filme segue em cartaz nas principais redes de cinema de todo o Brasil.

Quem é Wagner Moura?

Nascido em Rodelas, uma pequena cidade do sertão da Bahia, o ator cresceu longe dos holofotes — mas com uma inquietude que o empurrava para o palco desde cedo. Em Salvador, quando começou no teatro, já chamava atenção pelo olhar curioso, quase investigativo, com que observava o comportamento humano. Nada nele parecia superficial. Wagner se interessava pelo que há de mais real nas pessoas: as contradições, os medos, as dores e as pequenas grandezas do cotidiano.

Não demorou para o cinema brasileiro perceber que ali havia algo diferente. Seu nome começou a ganhar força com Carandiru (2003), mas foi com Tropa de Elite (2007) que o país inteiro entendeu quem era Wagner. O Capitão Nascimento virou ícone — um personagem que dividiu opiniões, despertou discussões sobre ética, violência e poder, e colocou o ator no centro de um dos maiores fenômenos culturais do Brasil. Sua atuação era crua, intensa, quase física. A cada cena, parecia que ele estava disposto a ir até o limite — e talvez por isso o público tenha se identificado tanto.

Com Tropa de Elite 2 (2010), reafirmou seu talento e se consolidou como um dos grandes nomes do cinema nacional. Mas parar ali seria pouco para alguém movido por curiosidade. A carreira de Moura tomou rumos ousados, atravessando fronteiras. Ele mergulhou em produções autorais, encarou o desafio de Hollywood e mostrou que talento brasileiro não conhece limites. Em Elysium (2013), contracenou com Matt Damon como um vilão cheio de nuances — prova de que sua intensidade não se perde nem quando o idioma muda.

E então veio Narcos (2015–2017), a série da Netflix que mudaria o rumo da carreira de Wagner Moura — e, de certa forma, também a forma como o mundo o enxergava. Para viver Pablo Escobar, ele fez o improvável: aprendeu espanhol do zero em poucos meses, mudou-se para a Colômbia e se jogou de cabeça na pele de um dos homens mais temidos e fascinantes da história. O desafio era imenso, mas o ator não é do tipo que recua diante do impossível. Sua entrega foi tamanha que o público mal conseguia separar o ator do personagem. O resultado foi uma performance intensa, quase hipnótica, que lhe rendeu uma indicação ao Globo de Ouro e o colocou definitivamente no mapa do cinema mundial.

Stranger Things ganha teaser da temporada final e prepara fãs para trailer que chega amanhã (30)

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A espera está quase acabando para os fãs de Stranger Things. A série da Netflix acaba de ganhar um teaser da quinta e última temporada, e o trailer completo será lançado amanhã. Em poucos segundos de imagens, a prévia já consegue transmitir tensão, mistério e aquele clima sobrenatural que tornou Hawkins um lugar impossível de esquecer. Abaixo, confira o vídeo:

Criada pelos irmãos Matt e Ross Duffer, a série mistura ficção científica, terror, suspense e drama adolescente, conquistando uma legião de fãs desde 2016. Além dos Duffer, os produtores executivos Shawn Levy e Dan Cohen também ajudaram a transformar a ideia em um sucesso global, equilibrando mistério, nostalgia dos anos 80 e histórias de amizade e coragem que atravessam gerações.

Um elenco que marcou época

A série se consolidou com um elenco incrível. Winona Ryder (conhecida por Beetlejuice e Garota, Interrompida) e David Harbour (de Hellboy e Black Widow) dão vida aos personagens adultos centrais, enquanto Finn Wolfhard (It: A Coisa), Millie Bobby Brown (Enola Holmes), Gaten Matarazzo (Prêmios Teen Choice), Caleb McLaughlin (Concrete Cowboy) e Noah Schnapp (Bridge of Spies) formam o grupo de jovens que conquistou o público. Com o tempo, outros nomes entraram na história, como Sadie Sink (Os 13 Porquês), Dacre Montgomery (Power Rangers), Maya Hawke (Kill Bill Vol. 3 ainda não lançado) e Sean Astin (O Senhor dos Anéis), adicionando novas camadas à trama e fortalecendo o universo da série.

A primeira temporada começou com o desaparecimento de Will Byers, um garoto de 12 anos, e a chegada de Onze, uma menina com poderes telecinéticos. Juntos, os amigos tentam desvendar o mistério do “Mundo Invertido”, abrindo portas para uma história cheia de suspense, aventuras e desafios sobrenaturais.

Crescimento dos personagens e da história

A segunda temporada, lançada em outubro de 2017, mostra os personagens tentando voltar à normalidade, mas ainda lidando com as consequências do Mundo Invertido. A terceira temporada, em julho de 2019, transporta tudo para o verão de 1985, trazendo conflitos adolescentes, ameaças sobrenaturais e a chegada de uma equipe russa que planeja explorar o portal para o mundo paralelo.

A quarta temporada, lançada em dois volumes em 2022, aprofundou o lado sombrio da história e introduziu vilões complexos, preparando o terreno para a temporada final. Agora, com a quinta e última temporada dividida em três volumes, a expectativa é que os fãs vejam o desfecho de várias histórias abertas desde a primeira temporada.

De Montauk a Hawkins: o nascimento de Stranger Things

A ideia original da série nasceu em 2015, com o projeto chamado Montauk, que seria ambientado em Nova Iorque e exploraria conspirações do governo americano nos anos 80. Os irmãos Duffer decidiram mudar a cidade fictícia para Hawkins e mergulharam de cabeça em referências culturais da época, como filmes de ficção científica, terror, ação, música, videogames e animes.

As influências de Steven Spielberg, John Carpenter e Stephen King estão presentes em cada detalhe, criando aquele clima nostálgico que fez os fãs se apaixonarem pela série. Experimentos secretos, teorias da conspiração e o clima da Guerra Fria também ajudaram a construir o mundo sombrio e cheio de mistérios que conhecemos hoje.

Quando estreia a temporada final?

A última temporada de Stranger Things será lançada em três volumes, cada um com datas estratégicas para manter os fãs na expectativa até o fim do ano. O Volume 1, com quatro episódios, estreia no dia 26 de novembro; o Volume 2, contendo três episódios, chega no dia 25 de dezembro, véspera de Natal; e o Volume 3, com o episódio final que encerra a série, será lançado em 31 de dezembro, véspera de Ano Novo. Todos os episódios estarão disponíveis às 22h, no horário de Brasília, garantindo que os fãs possam maratonar cada capítulo no clima de feriado e encerramento épico da saga.

Seu Cavalcanti | Filme de Leonardo Lacca estreia nos cinemas após duas décadas de construção

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O cinema brasileiro recebe nesta quinta-feira, 11 de setembro, a estreia de Seu Cavalcanti, longa-metragem dirigido por Leonardo Lacca, com exibições confirmadas em Belo Horizonte, Niterói, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e São Paulo, e previsão de expansão para outras cidades nas próximas semanas. Classificado para maiores de 12 anos, o filme é o resultado de quase duas décadas de trabalho, entre registros documentais, cenas ficcionais, edição, dublagens e efeitos visuais, consolidando-se como um projeto singular no panorama audiovisual nacional.

O protagonista do longa é o avô do diretor, um homem com mais de 90 anos que enfrenta a perda de prestígio social e a necessidade de reconquistar sua independência. O filme transita entre o documentário e a ficção, formando uma narrativa híbrida de cunho familiar, mas com temática universal. A trajetória de seu protagonista, marcada por desafios e resiliência, se transforma em um retrato sensível da passagem do tempo e das relações humanas.

A produção começou em 2003, quando Leonardo Lacca, ainda estudante universitário, teve acesso a uma câmera emprestada e começou a registrar momentos do cotidiano de seu avô. Inicialmente, tratava-se de registros informais, quase um diário audiovisual, mas ao longo dos anos o projeto ganhou corpo e direção artística. Com o tempo, Seu Cavalcanti tornou-se um colaborador ativo, participando conscientemente das filmagens e influenciando a construção de sua própria narrativa. Após o falecimento do avô, em 2016, o projeto não foi interrompido. A ausência do protagonista foi incorporada à narrativa, adicionando uma camada de reflexão sobre memória, perda e continuidade.

O processo de montagem do longa foi extremamente longo e detalhado. Inicialmente, havia cerca de 20 horas de material bruto em miniDV e outros formatos, mas o volume quase triplicou ao longo dos anos. A edição, conduzida por Luiz Pretti e Ricardo Pretti, ocorreu ao longo de dez anos em diferentes cidades, incluindo Recife, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Cada etapa do processo de montagem permitiu transformar os registros acumulados em uma narrativa coesa e sensível, equilibrando o material documental com elementos ficcionais e cenas reconstituídas.

Produzido inicialmente de forma independente pela Trincheira Filmes, o projeto passou a contar com colaborações de outros nomes importantes do cinema brasileiro, como Emilie Lesclaux e Kleber Mendonça Filho, da Cinemascópio Produções, e Mannu Costa, da Plano 9. Essas parcerias forneceram recursos técnicos e financeiros essenciais, além de contribuições artísticas que enriqueceram a obra, permitindo uma finalização de alta qualidade sem comprometer a originalidade do projeto.

O elenco do longa, além de Seu Cavalcanti e suas filhas Tereza Cavalcanti e Isabel Novaes, inclui participações de destaque no cinema nacional. A atriz Maeve Jinkings, conhecida por trabalhos como Aquarius e Carvão, contracena em cenas improvisadas filmadas em 2013, capturando interações naturais e espontâneas. A atriz potiguar Tânia Maria, famosa pelo bordão “que roupa é essa, menino?” em Bacurau, também participa do filme, adicionando leveza e autenticidade a uma das sequências. Essa mistura de atores profissionais e familiares contribui para o caráter híbrido da obra, ampliando a dimensão emocional da narrativa.

A equipe técnica reúne profissionais renomados que ajudaram a consolidar a estética e a identidade sonora do filme. O fotógrafo Pedro Sotero é responsável pela cinematografia, conferindo ao longa imagens que alternam intimidade e composição estética elaborada. A trilha sonora, assinada por Tomaz Alves Souza, inclui a música O Silêncio da Madrugada, que dá o tom da abertura do filme. O designer Raul Luna cuidou da sequência inicial, enquanto a pós-produção de som, conduzida por Marina Silva, Carlos Montenegro e Roberto Espinoza, foi responsável por criar a ambiência sonora e realizar as dublagens do próprio Seu Cavalcanti. A correção de cor realizada por Gustavo “Tijolinho” Pessoa deu ao longa uma textura visual marcante, pensada para valorizar a experiência nas salas de cinema.

A première nacional ocorreu na 27ª Mostra de Cinema de Tiradentes, em Minas Gerais, dentro da sessão competitiva Olhos Livres, recebendo destaque pelo caráter inovador e pela abordagem sensível da temática do envelhecimento, da memória e das relações familiares. A recepção da crítica especializada reforçou a importância do longa como uma obra que combina pesquisa documental, construção ficcional e experimentação estética de maneira fluida e natural.

O filme se apresenta como uma obra que ultrapassa o contexto familiar de sua criação. O filme articula registros íntimos, memórias afetivas e questões universais, oferecendo ao público uma reflexão sobre o tempo, o envelhecimento, o pertencimento social e a importância das relações humanas. A obra demonstra como o cinema pode transformar experiências pessoais em narrativas universais, capazes de dialogar com diferentes públicos e sensibilidades.

Ao longo de quase 20 anos de produção, Leonardo Lacca construiu um filme que dialoga com a memória afetiva e histórica, conectando passado e presente, realidade e ficção, intimidade e universalidade. A obra prova que a dedicação prolongada, aliada à experimentação estética e narrativa, pode resultar em uma experiência cinematográfica singular, capaz de emocionar e instigar o público a refletir sobre sua própria história e sobre as transformações da vida.

Universal Pictures divulga trailer de A História do Som, drama musical que emocionou Cannes

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A Universal Pictures acaba de divulgar o primeiro trailer e o cartaz oficial do longa A História do Som, dirigido pelo renomado cineasta Oliver Hermanus. Ovacionado em sua estreia mundial no Festival de Cinema de Cannes, em maio de 2025, o filme chega aos cinemas brasileiros em 19 de fevereiro de 2026, prometendo uma experiência sensorial única que mistura romance, música e memória.

Um encontro que transforma vidas

O enredo acompanha Lionel, interpretado por Paul Mescal, talentoso ator indicado ao Oscar de Melhor Ator em 2023 por Aftersun. Lionel é um jovem estudante de música no Conservatório de Boston, onde conhece David, vivido por Josh O’Connor, vencedor do Emmy de Melhor Ator em Série Dramática em 2021. A amizade entre os dois nasce de um profundo amor compartilhado pela música folk, um vínculo que se transforma gradualmente em romance.

A narrativa se desenrola entre 1917 e o verão de 1920, período em que os protagonistas se conhecem, se separam devido à Primeira Guerra Mundial e se reencontram para uma viagem transformadora pelo interior do Maine. Juntos, eles registram e preservam canções tradicionais, mergulhando na riqueza cultural da música folk americana. Cada melodia coletada é mais do que uma canção: é um fragmento de memória, uma história de vida preservada para gerações futuras.

Direção sensível e roteiro envolvente

Oliver Hermanus, conhecido por sua abordagem intimista e sensível, consegue equilibrar romance e drama com maestria. O roteiro, assinado por Ben Shattuck, é baseado em dois contos de sua coleção The History of Sound, que exploram temas como memória, identidade e a intensidade das relações humanas. Hermanus transforma esses contos em imagens e sons que emocionam, transportando o espectador para o início do século XX com autenticidade e poesia.

A direção se destaca pelo cuidado nos detalhes: desde os figurinos e cenários até a escolha de instrumentos e locações no Maine, tudo contribui para a imersão do público. Cada tomada reflete a beleza do período, criando uma experiência quase sensorial em que a música não é apenas trilha sonora, mas personagem central da história.

Elenco de excelência

Além de Paul Mescal e Josh O’Connor, o filme conta com a participação de Chris Cooper, ganhador do Oscar de Melhor Ator Coadjuvante, que acrescenta profundidade e presença à narrativa. A combinação desses talentos cria um elenco capaz de transmitir emoções complexas e sutis, tornando cada cena memorável.

A química entre Mescal e O’Connor é um dos pontos mais comentados do filme. Os dois atores conseguem capturar a intimidade, a vulnerabilidade e a paixão de Lionel e David de forma convincente, transformando um romance histórico em uma história universal sobre amor, arte e conexão humana.

Uma viagem pela música e pela memória

O núcleo central do filme é a viagem de Lionel e David pelo interior do Maine, na qual coletam canções folk que refletem a vida e as tradições locais. Esse roteiro não é apenas geográfico, mas emocional. A jornada permite que os protagonistas explorem suas próprias memórias e sentimentos, além de preservar culturalmente histórias que poderiam se perder com o tempo.

A música, nesse contexto, funciona como ponte entre passado e presente. Cada melodia traz à tona lembranças, emoções e histórias das pessoas que a cantam. Hermanus consegue transmitir a importância desses momentos, fazendo o público sentir que a arte pode ser uma forma de imortalizar experiências humanas.

Recepção internacional

O filme estreou mundialmente no 78º Festival de Cinema de Cannes, na competição principal, em 21 de maio de 2025, sendo ovacionado pelo público e pela crítica. A produção foi indicada à Palma de Ouro, reconhecimento que destaca a qualidade artística e narrativa do longa.

Após Cannes, o filme teve lançamento nos Estados Unidos pela plataforma Mubi em 12 de setembro de 2025, ampliando sua visibilidade internacional e consolidando sua reputação como obra sensível e poética. Especialistas elogiaram a direção de Hermanus, o roteiro de Shattuck e, principalmente, as performances de Mescal e O’Connor, considerando o filme uma das melhores produções cinematográficas de 2025.

Temas universais e contemporâneos

Embora ambientado em uma época histórica específica, A História do Som aborda questões universais que dialogam com o público contemporâneo. O filme reflete sobre a importância da memória, a preservação da cultura e o poder transformador do amor e da arte. A relação de Lionel e David, marcada por delicadeza, paixão e desafios emocionais, permite que o público se conecte com sentimentos e experiências universais, tornando a história atemporal.

Além disso, o longa provoca reflexões sobre identidade e legado: como as experiências e emoções de cada pessoa podem influenciar gerações futuras? Como a arte é capaz de capturar e preservar vidas e histórias? Essas questões percorrem toda a narrativa, conferindo profundidade e relevância à produção.

Expectativa no Brasil

Com estreia prevista para 19 de fevereiro de 2026, o filme deve atrair tanto cinéfilos quanto o público que aprecia histórias emocionantes sobre música, amor e memória. A divulgação do trailer já indica uma produção visualmente impressionante e sensorialmente rica, capaz de emocionar e envolver espectadores de diferentes idades e interesses.

Wandinha | Entenda o final da 2ª temporada e o que vem por aí na 3ª

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A segunda temporada de Wandinha terminou deixando o público com o coração na mão e a cabeça cheia de teorias. Lançado em 3 de setembro de 2025 na Netflix, o Volume 2 encerrou o segundo arco da série e já abriu pequenas brechas para o que vem na terceira temporada, que já foi oficialmente confirmada. Com Jenna Ortega no papel principal, a série continua a mesclar suspense, humor ácido e drama adolescente, criando um universo sombrio, mas ao mesmo tempo envolvente, capaz de conquistar tanto fãs de longa data quanto novos espectadores.

O confronto mais marcante desta temporada ocorreu entre Wandinha e sua mãe, Mortícia (Catherine Zeta-Jones), contra o vilão Isaac Night (Owen Painter). O antagonista tinha um plano sinistro: usar Feioso (Isaac Ordonez) como sacrifício para impedir que Tyler (Hunter Doohan) dominasse sua transformação em Hyde. Entre revelações inesperadas e segredos do passado, descobrimos ainda que Mãozinha, a icônica mão ambulante dos Addams, tinha uma ligação surpreendente com Isaac, trazendo uma carga emocional intensa para a trama.

O momento de maior tensão aconteceu quando Mortícia precisou cortar a mão de Isaac para proteger Gomez, reafirmando a ideia de que, para a família Addams, a união vem antes de tudo. Com o vilão finalmente derrotado, a Academia Nunca Mais entra em um período de calmaria, mas Wandinha não consegue descansar por muito tempo. Ela agora precisa encontrar Enid (Emma Myers), que assumiu a forma de um lobisomem Alfa e corre o risco de nunca mais voltar à sua vida normal. A amizade entre as duas será testada, e essa nova missão promete ainda mais mistério, drama e suspense para a terceira temporada.

Mistérios da Família Addams

A temporada também revelou que Ophelia, irmã de Mortícia, não está morta, como todos imaginavam. Ela foi mantida trancada pela avó Hester (Joanna Lumley) em um calabouço secreto, e no final aparece pintando a frase “Wandinha deve morrer” com sangue. Essa descoberta adiciona uma camada de mistério e promete ser um dos pontos centrais da terceira temporada, mostrando que, além das ameaças sobrenaturais, Wandinha terá que lidar com conflitos familiares muito profundos.

Tyler e a Jornada de Autoconhecimento

Depois da morte da mãe, Tyler recebe um convite da professora Capri (Billie Piper), que também é lobisomem, para participar de um grupo de apoio destinado a humanos que se transformam em Hyde. A ideia é ajudá-los a lidar com a maldição sem depender de um mestre, mas as intenções de Capri ainda são incertas. Essa subtrama mostra como a série consegue abordar questões de identidade, aceitação e convivência com diferenças, mesmo dentro de um contexto sobrenatural.

Um elenco que brilha

Jenna Ortega se destaca como a protagonista sombria, equilibrando sarcasmo, inteligência e momentos de vulnerabilidade que tornam a personagem extremamente cativante. Catherine Zeta-Jones é Mortícia, poderosa e elegante, enquanto Luis Guzmán dá vida a Gomez, misturando humor e ternura. Fred Armisen, como tio Chico, oferece momentos de leveza sem perder a atmosfera sombria da série.

Emma Myers interpreta Enid de forma sensível, mostrando a complexidade de sua transformação em lobisomem Alfa, e Hunter Doohan dá profundidade ao Tyler, dividindo-se entre medo e coragem. Participações especiais, como Joanna Lumley e Christina Ricci, ajudam a conectar a série às versões clássicas da Família Addams, trazendo nostalgia sem atrapalhar a narrativa moderna.

Tim Burton e a Estética Única

A direção e produção executiva de Tim Burton conferem à série seu estilo inconfundível. Cenários góticos, castelos sombrios e figurinos detalhados criam uma atmosfera perfeita para a história. As filmagens na Romênia, entre setembro de 2021 e março de 2022, aproveitaram paisagens e construções antigas que reforçam o clima de mistério e magia da série.

Sucesso de crítica e público

Desde sua estreia mundial em 23 de novembro de 2022, a série alcançou números impressionantes de audiência. Pouco tempo depois, tornou-se a terceira série em inglês mais assistida na Netflix e, posteriormente, ultrapassou a quarta temporada de Stranger Things, tornando-se a produção mais vista da plataforma em língua inglesa.

Crítica e público também reconheceram a qualidade do trabalho de Ortega, que recebeu indicações ao Globo de Ouro como Melhor Atriz em Série de Televisão – Musical ou Comédia. A produção foi indicada como Melhor Série de Televisão do mesmo gênero e ainda conquistou quatro prêmios Primetime Emmy, provando que Wandinha vai muito além de um sucesso passageiro.

A história até aqui

Tudo começa quando Wandinha é expulsa de um colégio tradicional por um incidente envolvendo piranhas, uma vingança contra os valentões que perseguiam seu irmão Feioso. Gomez e Mortícia então a matriculam na Escola Nunca Mais, um internato para jovens com habilidades sobrenaturais.

Ali, a filha da família Addams enfrenta desafios tanto dentro quanto fora da escola. Sua personalidade fria e observadora a faz entrar em conflito com colegas e professores, mas suas habilidades psíquicas a ajudam a desvendar mistérios e a lidar com ameaças sobrenaturais, criando uma narrativa repleta de suspense, humor e emoção.

O que podemos esperar da próxima temporada?

A terceira temporada promete ainda mais ação, mistério e desenvolvimento de personagens. A busca por Enid, a ameaça de Ophelia e o grupo de apoio de Tyler sugerem novos desafios, alianças inesperadas e conflitos emocionais mais profundos.

Além disso, a série deve explorar ainda mais os segredos da família Addams e a dinâmica entre os personagens secundários, garantindo que cada episódio traga surpresas e reviravoltas. Para os fãs, é a promessa de mais humor ácido, mistério sobrenatural e drama familiar, mantendo a essência que tornou a série um fenômeno mundial.

Vale a pena assistir O Agente Secreto? O novo thriller político de Kleber Mendonça Filho é uma experiência poderosa, densa e imperdível

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Foto: Reprodução/ Internet

Se tem um diretor no Brasil que nunca joga seguro, esse é Kleber Mendonça Filho. E em O Agente Secreto, seu novo filme, ele prova mais uma vez que está interessado em muito mais do que apenas contar uma história — ele quer nos colocar dentro dela, nos fazer desconfortáveis, atentos, e, de alguma forma, cúmplices.

O longa, que fez sua estreia mundial em Cannes e saiu de lá coroado com prêmios importantes — incluindo Melhor Direção para Mendonça e Melhor Ator para Wagner Moura — chega aos cinemas brasileiros cercado de expectativa. E com razão. O filme é um daqueles que dividem opiniões, mas dificilmente deixam alguém indiferente.

Recife, 1977: onde tudo ferve

Recife volta a ser o coração pulsante do cinema de Mendonça Filho, mas dessa vez a cidade é outra. A capital pernambucana retratada no filme é sombria, densa, cheia de segredos e câmeras imaginárias. É 1977, época de ditadura, censura e paranoia — e o ar parece pesar a cada esquina.

É nesse cenário que conhecemos Marcelo, um ex-acadêmico que tenta sobreviver à margem do sistema. Só que logo descobrimos que ele também é Armando — e que as identidades, no mundo que o cerca, são tão instáveis quanto a própria noção de verdade.
Wagner Moura dá vida a esse homem dividido com uma intensidade impressionante. Ele é calado, mas fala muito com o olhar. É o tipo de personagem que carrega o peso do país inteiro nos ombros — e de algum modo, a gente sente junto.

Um thriller político que não entrega o jogo

Quem for ao cinema esperando um suspense com tiros, perseguições e conspirações no estilo hollywoodiano pode se frustrar. O longa-metragem é outro tipo de thriller. Aqui, a tensão não vem da ação — vem do não dito, do olhar desconfiado, da sensação de estar sendo observado o tempo todo.

Kleber Mendonça Filho brinca com os códigos do gênero, mas os vira do avesso. Nada é simples, nada é direto. Há momentos em que a trama parece se perder em digressões, em lembranças, em detalhes aparentemente banais — mas é aí que o diretor encontra a força de seu cinema. Cada fragmento, cada corte, cada silêncio constrói algo maior: o retrato de um país tentando se entender.

E é impossível não notar o paralelo com o presente. Ainda que a história se passe em 1977, há ecos que ressoam até hoje — o controle, o medo, a manipulação da verdade. Mendonça parece dizer, com ironia e tristeza: o tempo passa, mas o jogo continua o mesmo.

Wagner Moura, em estado de arte

É impossível falar de O Agente Secreto sem destacar Wagner Moura. O ator, que há tempos vem equilibrando grandes produções e projetos autorais, entrega aqui uma de suas performances mais complexas. Seu personagem é um enigma: intelectual, fugitivo, idealista e, ao mesmo tempo, cúmplice de seu próprio silêncio.

Há uma cena — sem spoilers — em que Armando simplesmente observa o reflexo de si mesmo em uma janela suja, enquanto uma rádio toca notícias do regime. É um momento de puro cinema, onde nada acontece e tudo acontece. Moura segura a câmera com o olhar, e a gente entende por que ele saiu de Cannes com o prêmio de Melhor Ator.

O elenco de apoio também se destaca: Maria Fernanda Cândido é pura elegância e firmeza; Gabriel Leone traz juventude e inquietação; Alice Carvalho surpreende em uma presença breve, mas intensa; e Udo Kier empresta ao filme aquela aura enigmática que só ele tem.

Um espelho, não um retrato

No fundo, a trama é menos sobre espionagem e mais sobre memória. É um filme que nos faz pensar sobre o que escondemos, o que preferimos não ver, e o que fingimos ter esquecido.
É cinema que pede envolvimento — o tipo de obra que não acaba nos créditos finais, mas continua ecoando depois, nas conversas, nos silêncios, na sensação de que há algo de nós ali.

Talvez por isso o público saia do cinema com sentimentos mistos: fascínio, confusão, angústia. E isso é ótimo. Porque Mendonça não quer respostas. Ele quer diálogo. Quer que a gente se perca um pouco — para se encontrar em outro lugar.

Vale a pena assistir?

Vale — e muito.
Mas não vá esperando um passatempo. O Agente Secreto é daqueles filmes que pedem tempo, atenção e entrega. Ele não facilita, não explica, não embala. E é justamente isso que o torna tão poderoso.

É cinema feito com coragem, com inteligência e com amor pelo que o cinema pode ser: um instrumento de reflexão, de resistência e de arte.

Boots | Governo Trump critica série da Netflix por retratar relacionamentos gays nas Forças Armadas

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A série Boots, recém-lançada pela Netflix, tem gerado polêmica e debates nos Estados Unidos. A produção, que retrata a história de um adolescente gay no Corpo de Fuzileiros Navais, foi criticada por membros do governo do ex-presidente Donald Trump, incluindo a secretária de imprensa do Pentágono, Kingsley Wilson, que classificou o conteúdo como “lixo woke”.

Em comunicado enviado ao Entertainment Weekly, Wilson declarou que, sob a administração Trump e o secretário Pete Hegseth, as Forças Armadas norte-americanas estão focadas em restaurar o espírito guerreiro. “Nossos padrões são de elite, uniformes e neutros em relação ao sexo, porque o valor de um ser humano não é medido por ele ser homem, mulher, gay ou heterossexual”, disse.

A porta-voz acrescentou que as Forças Armadas não comprometem seus padrões para satisfazer agendas ideológicas, criticando a Netflix por supostamente promover conteúdos que, segundo ela, seguem uma “agenda woke”, voltada a crianças e ao público em geral. A declaração rapidamente repercutiu nas redes sociais, gerando discussões sobre representatividade e liberdade criativa na mídia.

Premissa da série

Criada por Andy Parker e baseada no livro de memórias The Pink Marine, de Greg Cope White, a série acompanha a vida de Cameron Cope, um adolescente gay da Louisiana. Impulsionado por seu melhor amigo, Ray McAffey, Cameron decide se alistar no Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos. Apesar do livro original se passar em 1979, a adaptação para a Netflix transporta a história para a década de 1990, explorando tanto o treinamento militar quanto as tensões familiares e pessoais do jovem protagonista.

O enredo destaca os desafios enfrentados por Cameron ao tentar conciliar sua identidade sexual com as exigências de uma instituição tradicional e rigorosa. Paralelamente, a narrativa acompanha Barbara Cope, mãe de Cameron, enquanto lida com a decisão do filho, mostrando as diferentes formas de aceitação e preocupação que uma família pode ter diante de escolhas que fogem do esperado socialmente.

Elenco e produção

O elenco principal de “Boots” reúne nomes de destaque: Miles Heizer interpreta Cameron Cope, Max Parker assume o papel do Sargento Liam Robert Sullivan, Vera Farmiga vive Barbara Cope e Liam Oh dá vida a Ray McAffey. Outros atores, como Cedrick Cooper, Ana Ayora, Zach Roerig e Joy Osmanski, compõem o elenco recorrente, trazendo profundidade aos personagens secundários sem desviar o foco da narrativa principal.

A produção equilibra a tensão do treinamento militar com momentos de humor, amizade e reflexão, criando uma narrativa envolvente e acessível a diferentes públicos. A direção de Andy Parker mantém a sensibilidade necessária para tratar de temas delicados, sem recorrer a estereótipos ou exageros melodramáticos.

Recepção da crítica

Desde a estreia em 9 de outubro de 2025, Boots tem recebido críticas positivas, principalmente por sua abordagem sensível da diversidade e inclusão no contexto militar. A crítica especializada elogia a capacidade da série de retratar experiências LGBTQIA+ com respeito e realismo, destacando a interpretação de Miles Heizer como especialmente impactante ao transmitir as dúvidas, medos e coragem de Cameron.

Enquanto o governo Trump manifesta críticas severas, o público e os analistas de mídia apontam que a série cumpre um papel social importante. A produção oferece visibilidade a experiências que, historicamente, foram marginalizadas, promovendo debates sobre aceitação, empatia e inclusão.

Repercussão social

A polêmica envolvendo o governo americano e a Netflix reacende discussões sobre representatividade, liberdade artística e o papel da mídia na formação de valores culturais. Plataformas de streaming têm se tornado espaço para narrativas diversas, e “Boots” exemplifica como histórias centradas em jovens LGBTQIA+ podem gerar reflexão e diálogo.

Especialistas em mídia afirmam que o sucesso da série demonstra um interesse crescente do público por produções que exploram experiências humanas complexas, mesmo em ambientes tradicionalmente conservadores, como o militar. A recepção positiva reforça a importância de abordar temas sociais contemporâneos de maneira inclusiva e responsável.

Supercine 12/04/2025: Globo exibe a comédia Revelação em Família

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Se tem uma coisa que feriado em família garante, é confusão — e é exatamente isso que o Supercine da Globo vai entregar neste sábado, 12 de abril de 2025. A emissora exibe “Revelação em Família” (Lez Bomb, no original), uma comédia independente cheia de mal-entendidos, boas intenções que dão errado e um elenco afiado que já passou por grandes produções do cinema.

Um jantar de Ação de Graças nada convencional

A história gira em torno de Lauren, interpretada por Jenna Laurenzo (Girl Night Stand), uma jovem que ainda não se assumiu como lésbica para os pais. Ela decide que o tradicional jantar de Ação de Graças será o momento ideal para revelar a verdade, levando sua namorada, Hailey, para conhecer a família. Mas o plano vai por água abaixo quando seu colega de quarto, Austin, aparece de surpresa — e acaba sendo confundido como seu suposto namorado.

Com a chegada de outros parentes e a confusão se acumulando, Lauren tenta desesperadamente assumir quem realmente é, mas a série de mal-entendidos transforma o feriado em um verdadeiro circo emocional, repleto de situações embaraçosas e engraçadas.

Elenco de peso em clima de comédia

O longa conta com um elenco experiente e carismático que brilha no meio do caos familiar. Cloris Leachman (A Última Sessão de Cinema, Agente 86) interpreta a avó sem papas na língua, sempre pronta para soltar uma verdade inconveniente. Kevin Pollak (Os Suspeitos, Cassino) vive o pai de Lauren, perdido nas próprias suposições e cada vez mais confuso com a situação.

Deirdre O’Connell (Eternos, A Vida em Si) interpreta a mãe protetora, que quer o melhor para a filha, mesmo que isso signifique fingir que está tudo bem — mesmo quando claramente não está. Brandon Micheal Hall (God Friended Me, Search Party) dá vida a Austin, o amigo que, sem querer, rouba a cena e complica ainda mais a vida de Lauren. Caitlin Mehner (O Lobo de Wall Street) também aparece em um papel que adiciona mais camadas à confusão familiar.

Na versão dublada, o filme ganha o talento de Celina Beatriz, Beatriz Rodrigues, Hector Gomes, Sheila Dorfman, Philippe Maia e Mariangela Cantú, que ajudam a dar ainda mais vida aos personagens no idioma português.

Representatividade com leveza e bom humor

“Revelação em Família” consegue abordar um tema sensível — o processo de sair do armário — com leveza, empatia e muito humor. O longa mostra o quanto é difícil para muitas pessoas LGBTQIA+ enfrentar a expectativa familiar, especialmente em momentos tradicionalmente simbólicos, como as reuniões de feriado.

Mas, ao invés de recorrer ao drama, o filme aposta na comédia de erros, provando que até nas situações mais caóticas, pode haver espaço para afeto, compreensão e crescimento. O roteiro acerta ao mostrar que mesmo os maiores desencontros podem levar a uma conexão mais sincera — desde que todos estejam dispostos a ouvir, acolher e rir de si mesmos.

Uma ótima pedida para o fim de noite

Se você curte comédias leves, com uma pitada de crítica social e situações familiares no melhor estilo “eu já passei por isso”, vale ficar acordado e conferir essa história divertida e cheia de identidade. É o tipo de filme que mistura boas gargalhadas com momentos de reflexão, sem perder o tom descontraído.

📺 Supercine – Revelação em Família
🗓️ Sábado, 12 de abril de 2025
⏰ Após o Altas Horas, na Globo

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