Crítica | Com visual ousado e tensão constante, A Hora do Mal se destaca como o novo terror do ano

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A Hora do Mal é exatamente o tipo de obra que se espera de um diretor em seu segundo longa-metragem: ousada, tecnicamente refinada e mais ambiciosa do que o trabalho anterior. Craig Cregger, conhecido pelo elogiado Barbarian (2022), prova aqui que não é um diretor de uma obra só. Pelo contrário, ele demonstra maturidade narrativa e um domínio estético que evoluem cena após cena, consolidando seu nome entre os novos autores mais promissores do cinema de terror.

Há uma confiança visível em cada quadro. Cregger explora com precisão o ritmo, o movimento e uma linguagem visual mais viva e articulada do que em Barbarian. Seu controle sobre a mise-en-scène impressiona, especialmente nas sequências de ação, que demonstram sua versatilidade. É seguro afirmar: o diretor tem um grande filme de ação dentro de si, apenas esperando o momento certo para emergir.

Uma das grandes curiosidades era observar quais marcas autorais de Barbarian retornariam aqui — e uma delas se destaca de imediato: a obsessão pela estrutura narrativa. O filme é construído como uma montanha-russa emocional, conduzindo o público por curvas inesperadas com precisão quase cirúrgica. O diretor sabe exatamente quando acelerar, quando pausar e quando permitir que o espectador reorganize as peças desse quebra-cabeça psicológico antes do próximo impacto. Essa fluidez narrativa é um dos principais trunfos do filme: nada é gratuito, nenhuma cena é desperdiçada. Tudo contribui para manter a tensão em ebulição.

O sentimento de inquietação é constante. Mesmo nas passagens aparentemente calmas, há algo estranho no ar — uma tensão subjacente que jamais se dissipa por completo. A trilha sonora desempenha um papel fundamental nesse processo: é hipnótica, intensa e cuidadosamente escolhida para reforçar o clima de constante ameaça. O som não apenas acompanha, mas amplifica a experiência sensorial do público.

Outro elemento digno de destaque é a habilidade de Cregger em manipular tom e ritmo. Ele transita com naturalidade entre o terror psicológico, o suspense atmosférico e explosões de violência gráfica, sempre mantendo a coesão da narrativa. Um feito notável para qualquer cineasta, ainda mais para um nome em ascensão. O humor também está presente, mas jamais de forma forçada ou deslocada — surge pontualmente, quebrando a tensão em momentos estratégicos, sem comprometer a atmosfera opressiva do enredo.

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Contrastes e críticas sociais

Assim como em Barbarian, Cregger demonstra interesse em explorar contrastes sociais e visuais. A ambientação em uma zona suburbana de classe média alta, aparentemente tranquila e segura, entra em choque com a brutalidade escondida por trás de portas comuns. É um retrato perturbador da banalização do mal — da ideia de que a violência pode se ocultar nos lugares e nas pessoas mais improváveis. Quando essa crítica é direcionada ao universo juvenil e ao ambiente escolar, ela se torna ainda mais incômoda e pertinente.

Visualmente, o filme é um espetáculo. Os enquadramentos dinâmicos, os movimentos ousados de câmera e a fotografia pulsante criam uma linguagem cinematográfica cheia de energia. Há sequências coreografadas com precisão quase balética, misturando horror e beleza de forma visceral. Em um gênero onde a estética muitas vezes é tratada como um detalhe secundário, o cuidado visual de A Hora do Mal se destaca com folga.

Terror épico, mas sem perder a essência

No geral, o longa-metragem é tudo o que se espera de um blockbuster de terror — e a palavra “blockbuster” aqui é usada com intenção. Embora a história se desenrole em uma cidade pequena, a escala narrativa é grandiosa. É um filme épico, ambicioso, maior e mais ousado do que Barbarian, sem nunca abandonar a essência do horror intimista. A tensão é constante, os sustos são genuínos, e há espaço para emoção e surpresa.

O elenco contribui de forma decisiva para o êxito do longa. As performances são intensas, emocionalmente carregadas e ajudam a ancorar a trama em sentimentos reais, mesmo diante dos elementos mais fantásticos. As cenas de ação são coreografadas com uma precisão admirável, demonstrando não só técnica, mas também um olhar artístico refinado.

Mais do que assustador, A Hora do Mal é imprevisível. É quase impossível antecipar seus rumos narrativos — e essa imprevisibilidade é uma de suas maiores virtudes. Em um mercado saturado por fórmulas repetitivas, onde muitos filmes de terror se limitam a reproduzir convenções batidas, Craig Cregger entrega uma obra original, corajosa e impactante.

Sucesso de bilheteria! O Auto da Compadecida 2 atrai 600 mil espectadores em três dias

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É isso mesmo! A tão esperada continuação de O Auto da Compadecida não decepcionou e já conquistou 600 mil espectadores em apenas três dias em cartaz. Com uma abertura triunfal no último dia 25 de dezembro, o filme arrecadou impressionantes R$ 4 milhões, tornando-se a maior bilheteria de estreia de um longa brasileiro desde o início da pandemia.

Selton Mello, que retorna como Chicó, celebrou o feito nas redes sociais com uma mensagem emocionada. “Chicó e João Grilo estão de volta, aproveitem esse passeio com eles. Isso é raro, saboreiem cada segundo, uma celebração do nosso cinema”, escreveu o ator no Threads, arrancando aplausos virtuais dos fãs.

A história começa com o retorno de João Grilo (Matheus Nachtergaele) à pequena Taperoá, 20 anos após os acontecimentos do primeiro filme. Agora uma celebridade local, João encara uma nova e cômica missão: se aproveitar de sua fama para ajudar (ou atrapalhar) as disputas políticas da cidade. Mas, claro, o destino tem outros planos, e ele acaba precisando recorrer à Compadecida mais uma vez. Afinal, golpes, caos e João Grilo andam de mãos dadas, não é?

Além da icônica dupla Matheus Nachtergaele e Selton Mello, o elenco conta com nomes de peso como Taís Araujo, que brilha como a Compadecida, Humberto Martins, Eduardo Sterblitch, Fabiula Nascimento e Luis Miranda. Cada personagem traz camadas de humor e emoção, reforçando a identidade marcante da produção.

Então, prepare a pipoca e corra para os cinemas. Afinal, como o próprio Selton Mello disse, essa é uma experiência rara. Saboreie cada segundo!

Primeiras imagens do filme live-action de The Legend of Zelda redefinem as expectativas e inauguram uma nova era para a Nintendo nas telonas

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As primeiras imagens oficiais do aguardado live-action de The Legend of Zelda finalmente foram reveladas — e, pela primeira vez desde o anúncio do projeto, o público consegue visualizar com clareza a direção artística escolhida para a adaptação. Até então, o debate era guiado por rumores, vídeos amadores de bastidores e muita especulação. Agora, com conteúdo autorizado e cuidadosamente produzido, o filme deixa o campo da suposição e passa a ocupar um espaço concreto no imaginário do público. As informações são do Caderno POP.

O momento da divulgação não é acidental. Ela chega logo após a confirmação do início das filmagens, marcando um ponto de virada na estratégia de marketing da Nintendo e da Sony. A liberação das imagens funciona como um gesto de confiança: mostra que as equipes estão seguras do que estão construindo e que desejam convidar os fãs a acompanhar o processo desde cedo — mas sem revelar mais do que o necessário.

Um elenco jovem diante de uma das histórias mais emblemáticas dos games

Marcado para estrear em 7 de maio de 2027, o longa apresenta Benjamin Evan Ainsworth como Link. O ator, que vem se destacando por performances sensíveis em personagens complexos, assume aqui talvez o papel mais desafiador de sua carreira. Link é, simultaneamente, um símbolo da bravura e um herói silencioso — características que exigem expressividade corporal e emocional mesmo com pouquíssimas falas.

Ao lado dele, Bo Bragason interpreta a Princesa Zelda, uma decisão de casting celebrada por muitos fãs. A personagem, frequentemente responsável pela carga mítica, política e espiritual das narrativas da franquia, parece assumir um papel de protagonismo amadurecido nas imagens iniciais. A postura firme, a expressão determinada e um figurino que combina elementos clássicos a tecidos mais contemporâneos sugerem uma abordagem que respeita a essência dos jogos, mas procura expandi-la para o cinema.

A química entre os intérpretes é um dos pontos mais aguardados, já que Zelda não é apenas uma história de aventura: é também uma narrativa sobre alianças, confiança e sacrifícios compartilhados.

A direção de Wes Ball e o desafio de uma mitologia que atravessa gerações

A responsabilidade criativa está nas mãos de Wes Ball, diretor conhecido por construir mundos com ambição visual e profundidade atmosférica. Sua experiência em Maze Runner e, sobretudo, em Planeta dos Macacos: O Reinado reforça sua habilidade em equilibrar tecnologia, emoção e grandiosidade.

Em Zelda, o desafio é ainda maior. Hyrule não é um reino qualquer: é um universo com múltiplas eras, lendas, civilizações e símbolos que definem a própria identidade da franquia desde 1986. Transportar esse ecossistema para o cinema exige não apenas técnica, mas compreensão cultural.

As primeiras imagens reveladas mostram que o projeto parece estar trilhando um caminho coerente. A paleta de cores, as texturas dos figurinos e o uso de iluminação natural evocam a sensação de desbravamento presente em Breath of the Wild e Tears of the Kingdom. As orelhas pontudas dos Hylians, o traje de Link e o ambiente aberto — amplos campos, nuvens altas, grama realista — apontam para uma adaptação que não tem vergonha de ser fiel ao que os fãs conhecem.

O silêncio sobre a trama é parte da estratégia

Apesar de a produção ter se tornado mais transparente com a divulgação das imagens, o enredo continua sendo o aspecto mais bem guardado do filme. A franquia The Legend of Zelda possui dezenas de jogos, múltiplas linhas do tempo e interpretações variadas sobre a origem e a evolução dos personagens. Qual caminho o longa vai seguir permanece um mistério — e isso tem sido uma vantagem estratégica.

A herança de uma franquia monumental

The Legend of Zelda é uma das séries mais influentes da história dos videogames. Títulos como Ocarina of Time redefiniram padrões de jogabilidade e narrativa na década de 1990, enquanto Breath of the Wild revolucionou a forma como os jogadores interagem com mundos abertos no século XXI. Esse legado monumental significa que o filme não pode ser apenas mais uma adaptação — ele precisa dialogar com décadas de memórias, expectativas e afetos.

A presença de Shigeru Miyamoto na produção reforça essa responsabilidade. Criador de Zelda e um dos nomes mais importantes da Nintendo, Miyamoto atua como guardião criativo, assegurando que decisões fundamentais preservem a identidade da franquia. Seu envolvimento indica que não haverá concessões fáceis e que o foco está em construir um filme que converse tanto com fãs veteranos quanto com novos públicos.

Vale a pena assistir O Ritual? O filme de exorcismo que desafia sua fé e mexe com a sua mente

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Filmes de exorcismo são como velhas orações: repetidos tantas vezes que, para funcionar, precisam ser ditos com algo novo na voz. O Ritual se propõe a fazer exatamente isso — revisitar um gênero saturado, mas com a promessa de trazer mais do que sustos fáceis. Dirigido por David Midell e estrelado por Al Pacino, Dan Stevens e Abigail Cowen, o longa parte de um caso real para explorar não apenas o sobrenatural, mas também o peso da dúvida, a fragilidade da fé e os limites da mente humana.

O filme leva o público a uma viagem intensa entre o sobrenatural e o psicológico. Inspirado em um caso real ocorrido em 1928, o longa acompanha Emma Schmidt, uma jovem de uma pequena cidade agrícola de Iowa que começa a apresentar sinais perturbadores: crises violentas, aversão a símbolos religiosos e a habilidade de falar idiomas que jamais estudou. Preocupada, sua família recorre à Igreja Católica, que designa o experiente padre Theophilus Riesinger e o jovem padre Joseph Steiger para ajudá-la. No isolamento de um convento, durante 23 dias de exorcismos, fé e dúvida se entrelaçam, revelando segredos sombrios e forçando todos os envolvidos a confrontar seus próprios limites.

O elenco do terror ainda conta com Ashley Greene como Irmã Rose, Patricia Heaton como a Madre Superiora, Patrick Fabian no papel de Bispo Edwards e María Camila Giraldo como Irmã Camila, cada um contribuindo para o retrato multifacetado da vida no convento.

Um caso que começou no interior dos Estados Unidos

A história é inspirada em eventos ocorridos em 1928, na cidade agrícola de Earling, Iowa. Emma Schmidt — interpretada com intensidade por Abigail Cowen — começou a apresentar comportamentos estranhos: falava idiomas que nunca estudou, tinha acessos de violência sem motivo, rejeitava qualquer símbolo sagrado e, segundo testemunhas, parecia conversar com “vozes” que não eram suas.

A família, profundamente religiosa, buscou ajuda na Igreja Católica. É assim que entram em cena dois padres com visões de mundo quase opostas: Theophilus Riesinger (Al Pacino), experiente, acostumado a rituais de exorcismo, e Joseph Steiger (Dan Stevens), jovem, cético e carregando traumas pessoais.

A dupla se encontra em um convento isolado, onde o ritual é conduzido ao longo de 23 dias. É um cenário perfeito para o terror: corredores estreitos, luz fraca, paredes que parecem absorver cada sussurro.

A dúvida como motor da narrativa

O diferencial do filme está no ritmo e na construção da história. Ao contrário de muitas produções do gênero, ele não joga o espectador de cara no caos demoníaco. O filme planta sementes de incerteza: será que Emma está realmente possuída, ou tudo não passa de um caso grave de distúrbio mental?

Cada nova cena reforça essa ambiguidade. Quando Emma grita em latim, isso pode ser interpretado como um sinal sobrenatural… ou como resultado de algum conhecimento inconsciente adquirido na infância. Quando ela demonstra força sobre-humana, é algo demoníaco… ou uma descarga extrema de adrenalina?

Essa abordagem faz com que a verdadeira “protagonista” seja a dúvida. O espectador é convidado a oscilar entre a ciência e a fé, sem saber em qual terreno está pisando.

O convento onde se passa a maior parte da trama é mais do que um cenário — é um personagem silencioso. Os corredores parecem estreitar à medida que a tensão aumenta. A luz das velas cria sombras que nunca estão quietas. O som de passos ecoa de forma quase imperceptível, fazendo o espectador se perguntar se há mais alguém ali.

Midell opta por um visual que flerta com o gótico: poucos elementos em cena, paleta de cores frias, e um jogo de luz e sombra que sugere mais do que mostra. Os efeitos especiais são sutis. Não há explosões visuais nem exageros de CGI. O terror nasce da sugestão, não da exposição.

Quando o terror tropeça

Nem tudo, no entanto, funciona. O maior deslize está na movimentação da câmera. Em várias cenas, principalmente nos momentos de maior tensão, o diretor usa uma câmera trêmula, tentando transmitir urgência e confusão. Mas o excesso dessa técnica prejudica a imersão e chega a provocar desconforto visual.

Além disso, o clímax do filme acaba cedendo a alguns clichês do gênero — olhos virando, vozes graves, levitações — que, embora bem executados, soam previsíveis. É como se, depois de construir algo diferenciado, o roteiro cedesse à pressão de entregar o que o público “espera” de um filme de possessão.

Vale a pena assistir?

A resposta depende do tipo de experiência que você procura.

Se a sua ideia de terror é baseada em sustos frequentes e efeitos exagerados, talvez o filme não seja o filme ideal. Ele exige paciência, atenção e disposição para lidar com incertezas.

Mas, se você aprecia histórias que exploram o lado psicológico do medo, que desafiam certezas e que se sustentam mais pela atmosfera do que pelo choque visual, O Ritual pode ser uma experiência recompensadora.

Mia Carragher, filha de Jamie Carragher, assume papel de Katniss Everdeen em nova adaptação teatral de “Jogos Vorazes”

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Você se lembra da primeira vez em que ouviu falar de Katniss Everdeen? Talvez tenha sido em um trailer com arco e flecha, talvez no silêncio da sala de cinema ao som de “The Hanging Tree”, ou então nas páginas do livro, com uma garota de trança saindo de casa para enfrentar o impossível. Aquela personagem que não queria ser heroína, mas acabou inspirando uma revolução — dentro e fora da ficção.

Pois é. Katniss está voltando. Mas não do jeito que você imagina.

Do futebol ao palco: conheça a nova intérprete da protagonista que mudou tudo

Mia Carragher tem 20 e poucos anos, sotaque britânico e uma história de vida bem diferente da de Katniss. Filha do ex-jogador do Liverpool Jamie Carragher, ela cresceu cercada de holofotes — mas por outros motivos. O sobrenome, conhecido nos gramados, agora ganha destaque nos palcos. Mia acaba de ser escolhida para viver Katniss Everdeen na adaptação teatral “The Hunger Games on Stage”, que estreia em outubro, em Londres.

A peça será encenada no Troubadour Canary Wharf Theatre, um dos espaços mais modernos da capital britânica, com direito a efeitos especiais de última geração, som 360° e, claro, muito fogo.

Para muitos fãs, é uma escolha surpreendente. Mia tem pouca experiência em atuação — seu principal trabalho até agora foram dois episódios da série britânica The Gathering. Mas talvez seja justamente isso que dê um charme à escolha. Afinal, Katniss também não foi treinada para ser símbolo de nada. Ela apenas sobreviveu. E talvez Mia também vá nos conquistar assim: com verdade.

“Eu sei que tem muita gente com grandes expectativas… e isso assusta”, disse Mia em uma entrevista recente. “Mas estou disposta a mergulhar nessa personagem que representa tanta coisa para tantas pessoas. Ela não é só uma heroína. Ela é uma cicatriz viva.”

É uma fala forte. E verdadeira.

Enquanto isso, do outro lado do oceano… as câmeras começam a rodar novamente em Panem

Se nos palcos Katniss volta ao início de sua trajetória, nas telas voltamos ainda mais no tempo. Começaram neste mês, nos Estados Unidos, as gravações de “Jogos Vorazes: Amanhecer na Colheita”, o novo filme da franquia. Uma prequela da trilogia original, a produção é baseada no livro homônimo lançado este ano por Suzanne Collins — autora que não cansa de revisitar Panem com olhos cada vez mais críticos.

O filme, que chega aos cinemas em novembro de 2026, será dirigido por Francis Lawrence (o mesmo de Em Chamas e A Esperança) e tem no elenco nomes que prometem — e muito: Joseph Zada como o jovem Haymitch Abernathy, Whitney Peak, Mckenna Grace, Maya Hawke, Jesse Plemons, Elle Fanning, Kieran Culkin, e até o lendário Ralph Fiennes, como o Presidente Snow.

Sim, esse mesmo Snow que transformou os Jogos numa ferramenta de controle, aqui aparece em uma fase anterior — ainda consolidando seu poder, ainda aprendendo a manipular.

O Massacre Quaternário: onde a esperança foi rasgada

“Amanhecer na Colheita” se passa durante o 50º Jogos Vorazes, também conhecido pelos fãs como o Massacre Quaternário — uma versão ainda mais cruel do torneio, com o dobro de tributos enviados à arena. Para quem já viu Katniss enfrentar horrores no campo de batalha, prepare-se: o trauma de Haymitch pode ser ainda mais brutal.

Neste filme, vamos acompanhar a origem do cansaço nos olhos daquele mentor beberrão, que carregava nas costas um passado que ele nunca revelou por inteiro. Agora, vamos ver o que ele enfrentou — e o que perdeu.

Haymitch, aqui, é jovem, corajoso, impetuoso. E o mundo ainda está cheio de gente que acredita no sistema, que obedece às regras. Mas o Massacre vai mudar tudo. Para sempre.

Um elenco jovem, potente e promissor

Se “Jogos Vorazes” sempre foi sobre juventude forçada a crescer cedo demais, o novo elenco faz jus a esse legado. É um time diverso, com nomes que já brilharam (e ainda vão brilhar) muito:

O elenco do novo filme é um verdadeiro mosaico de talentos da nova geração e nomes já consagrados, reunidos para dar vida a um capítulo sombrio da história de Panem. Joseph Zada, conhecido por seu trabalho intenso em The Last Border (2023), assume o papel de Haymitch Abernathy em sua juventude, enfrentando seus primeiros traumas na arena. Ao seu lado, a promissora Whitney Peak (Gossip Girl, Hocus Pocus 2) interpreta Lenore Dove Baird, uma tributo com espírito inquieto. Mckenna Grace (A Maldição da Residência Hill, Ghostbusters: Mais Além) vive a sensível e corajosa Maysilee Donner, enquanto Jesse Plemons (Ataque dos Cães, Black Mirror) dá profundidade ao jovem Plutarch Heavensbee, já envolvido nos bastidores do poder. Completam o elenco a carismática Maya Hawke (Stranger Things, Rua do Medo), o versátil Kelvin Harrison Jr. (Elvis, Waves), a veterana Lili Taylor (Invocação do Mal, Six Feet Under), o irreverente Kieran Culkin (Succession), o promissor Ben Wang (American Born Chinese), e os consagrados Elle Fanning (The Great, Malévola) como uma jovem Effie Trinket, e Ralph Fiennes (O Menu, Harry Potter) no papel do astuto Presidente Snow. Uma reunião de nomes que, juntos, prometem incendiar novamente a tela com drama, tensão e humanidade.

Suzanne Collins e a eterna ferida chamada Panem

A escritora já deixou claro, em diversas entrevistas, que Panem é uma metáfora — sempre foi. E se o primeiro livro falava sobre guerra e trauma, Amanhecer na Colheita aprofunda o desconforto: fala de memória, de manipulação, de um sistema que se reinventa para permanecer cruel. Em tempos em que o autoritarismo se esconde sob novas máscaras, Collins nos lembra: a distopia está sempre à espreita.

E o que isso tudo significa para os fãs?

Significa que não estamos prontos para deixar Panem.

Mesmo depois de tantos anos, algo naquele mundo ainda fala com a gente. A injustiça, a opressão, a coragem silenciosa, o medo, a força de quem não pediu para lutar, mas lutou assim mesmo. Seja nos olhos firmes de Mia no palco ou no suor do jovem Haymitch na arena, essa história ainda pulsa. E ainda machuca.

Mas também inspira. Porque “Jogos Vorazes” nunca foi apenas sobre lutar. Foi sobre resistir. Sobre dizer “não”. Sobre desafiar o que parecia imutável.

Maldição da Múmia | Lee Cronin retorna ao horror com um filme que promete tirar o fôlego do público em 2026

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Os amantes do cinema de terror já têm um novo motivo para contar os dias no calendário. A Warner Bros. Pictures divulgou nesta domingo, 12, o primeiro teaser trailer de “Maldição da Múmia”, novo longa de horror dirigido por Lee Cronin, cineasta que vem se consolidando como um dos nomes mais interessantes do gênero contemporâneo. Com estreia marcada para 15 de abril de 2026 nos Estados Unidos e 16 de abril de 2026 no Brasil, o filme chegará aos cinemas nacionais também em salas IMAX, prometendo uma experiência intensa, sombria e profundamente inquietante.

Desde os primeiros segundos do teaser, fica claro que “Maldição da Múmia” não pretende seguir caminhos óbvios. O vídeo aposta mais na sugestão do que na exposição direta do horror, criando uma atmosfera de angústia crescente, marcada por silêncios incômodos, imagens fragmentadas e uma sensação constante de ameaça invisível. É um convite para o espectador mergulhar em um terror psicológico que, aos poucos, se transforma em algo muito mais visceral.

O filme parte de um dos arquétipos mais clássicos do terror, o mito da múmia, mas o reinventa sob uma ótica moderna e emocional. A história acompanha uma família marcada por uma perda irreparável: a filha desapareceu misteriosamente no deserto há oito anos e foi dada como morta. Quando ela retorna de forma inesperada, trazendo consigo marcas físicas e emocionais difíceis de explicar, o que deveria ser um reencontro milagroso rapidamente se transforma em um pesadelo. Aos poucos, os familiares percebem que algo profundamente errado voltou junto com ela — algo antigo, violento e impossível de controlar.

Lee Cronin, conhecido por seu domínio da tensão e pelo uso criativo do espaço e do silêncio, descreve o longa como uma mistura improvável, porém instigante, de “Poltergeist” e “Se7en – Os Sete Crimes Capitais”. Essa combinação sugere um terror que não se limita a sustos pontuais, mas que constrói um clima opressivo, explorando tanto o sobrenatural quanto o horror psicológico e moral. O foco não está apenas na criatura ou na maldição em si, mas no impacto que ela causa nas relações humanas, nos segredos familiares e na fragilidade emocional dos personagens.

O elenco reforça a ambição do projeto. Jack Reynor, que chamou atenção internacional em Midsommar, interpreta o pai da família, um homem consumido pela culpa e pela esperança contraditória de ter a filha de volta. Laia Costa, elogiada por performances intensas em produções europeias como Un Amor, vive a mãe, dividida entre o instinto de proteção e o medo crescente de que aquela jovem não seja mais a criança que perdeu. May Calamawy, conhecida do grande público por Cavaleiro da Lua, assume um papel central na trama, trazendo força emocional e complexidade a uma personagem envolvida diretamente nos mistérios da maldição.

O elenco ainda conta com Veronica Falcón (A Milhões de Quilômetros), Natalie Grace (1923), May Elghety, Shylo Molina e Billie Roy, formando um grupo diverso que ajuda a dar profundidade à narrativa. A presença de atores com experiências tão distintas sugere um filme que dialoga com diferentes culturas e referências, algo que combina com a própria origem do mito da múmia, tradicionalmente associado a histórias ancestrais e maldições antigas.

Nos bastidores, “Maldição da Múmia” reúne alguns dos nomes mais influentes do terror atual. James Wan (Invocação do Mal, Jogos Mortais) e Jason Blum (Corra!, Atividade Paranormal) assinam a produção, ao lado de John Keville, garantindo um equilíbrio entre terror autoral e apelo comercial. A supervisão criativa fica por conta de Atomic Monster, com Alayna Glasthal acompanhando o projeto, o que reforça a expectativa de um filme tecnicamente sofisticado e narrativamente ousado. Como produtores executivos, estão Michael Clear, Judson Scott e Macdara Kelleher, nomes já associados a projetos de grande impacto no gênero.

Diferente das versões clássicas da múmia no cinema, marcadas por aventuras grandiosas ou monstros mais explícitos, o novo longa parece apostar em uma abordagem mais íntima e perturbadora. O terror surge do desconhecido, da quebra da lógica natural e da sensação de que forças antigas não deveriam ser despertadas. A maldição, aqui, não é apenas física ou sobrenatural, mas também emocional, corroendo lentamente a confiança, o amor e a sanidade dos personagens.

Outro ponto que chama atenção é a escolha do deserto como elemento central da narrativa. O cenário, tradicionalmente associado ao isolamento, à morte e ao esquecimento, funciona como uma extensão do estado emocional da família. O retorno da filha não simboliza apenas a quebra de uma ordem natural, mas também o desenterrar de traumas que nunca foram realmente superados. O filme parece explorar com sensibilidade essa linha tênue entre luto, esperança e negação.

Com estreia marcada para abril de 2026, “Maldição da Múmia” já desponta como um dos títulos de terror mais aguardados do ano. A decisão de lançá-lo também em IMAX reforça a confiança do estúdio na força visual e sonora da produção, apostando em uma experiência imersiva que potencializa o medo e a tensão.

Crítica – Hamnet: A Vida Antes de Hamlet é um retrato delicado e profundo do luto como permanência

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Foto: Agata Grzybowska/ FOCUS FEATURES LLC

Hamnet: A Vida Antes de Hamlet chega aos cinemas em 2025 como uma das adaptações literárias mais sensíveis dos últimos anos. Baseado no romance homônimo de Maggie O’Farrell, o longa dirigido por Chloé Zhao se distancia conscientemente do biográfico tradicional para construir um estudo íntimo sobre perda, amor e memória. Em vez de narrar feitos históricos ou glorificar o mito em torno de William Shakespeare, o filme escolhe observar o que permanece quando a tragédia já aconteceu e quando a ausência passa a reorganizar silenciosamente a vida dos que ficam.

A abordagem de Zhao é contida e profundamente humana. O luto, aqui, não se manifesta por grandes explosões emocionais ou discursos explicativos. Ele se instala nos gestos cotidianos, nos silêncios prolongados, na maneira como o tempo parece desacelerar após a perda de um filho. A morte de Hamnet não é tratada como um evento isolado, mas como uma força invisível que atravessa cada relação, cada espaço e cada escolha dos personagens.

No centro da narrativa estão Agnes e William Shakespeare, interpretados com notável sensibilidade por Jessie Buckley e Paul Mescal. O casal não representa apenas duas figuras históricas, mas duas formas radicalmente distintas de atravessar a dor. Agnes estabelece com a natureza uma relação de profunda intimidade. Seu vínculo com a terra, as plantas e os ciclos naturais carrega um misticismo orgânico que nunca soa artificial ou exótico. Trata se de uma espiritualidade silenciosa, construída a partir da escuta e da observação, que transforma o ambiente ao redor em extensão de seu mundo interior.

Jessie Buckley entrega uma das atuações mais marcantes de sua carreira. Sua Agnes carrega o luto no corpo, no olhar e até na respiração. Cada movimento parece atravessado por uma dor contida, nunca verbalizada em excesso. Buckley constrói uma personagem que comunica mais pelo silêncio do que pela palavra, transformando gestos mínimos em expressões de um sofrimento profundo e persistente. Sua presença em cena sustenta emocionalmente o filme e dá densidade a cada momento de recolhimento e resistência.

Paul Mescal, por sua vez, interpreta um William Shakespeare menos mítico e mais humano. Distante da imagem do gênio inspirado, seu personagem encontra na escrita uma tentativa de sobreviver à perda. A arte surge não como fuga, mas como um espaço de permanência. Ao escrever, William não busca apagar a ausência do filho, mas dar forma a ela. A criação artística se apresenta como um gesto de amor, um meio de manter viva uma presença que já não existe fisicamente.

Jacobi Jupe, no papel de Hamnet, oferece uma atuação delicada e luminosa. Sua presença em cena é breve, mas profundamente marcante. O jovem ator constrói um personagem que ocupa o filme com uma naturalidade comovente, como se desde o início anunciasse a falta que deixaria. Mesmo após sua saída da narrativa, Hamnet continua presente, não como lembrança explícita, mas como ausência constante que molda o comportamento e as emoções dos demais personagens.

A direção de fotografia desempenha um papel fundamental na construção da atmosfera do filme. A luz natural, os enquadramentos contemplativos e o ritmo paciente da câmera acompanham os estados emocionais dos personagens com precisão. Cada plano parece carregado de memória e de tempo, criando imagens que não explicam o sentimento, mas o experimentam junto ao espectador. A natureza não funciona apenas como cenário, mas como espelho emocional do que não pode ser dito.

Narrativamente, Hamnet: A Vida Antes de Hamlet opta por uma estrutura que privilegia a experiência sensorial em detrimento da linearidade clássica. O filme confia na capacidade do público de sentir e interpretar, sem recorrer a explicações excessivas. Essa escolha pode desafiar espectadores acostumados a narrativas mais diretas, mas é justamente nela que reside a força da obra. Zhao constrói um cinema que convida à contemplação e à escuta atenta.

Ao transformar a ausência em matéria artística, Chloé Zhao reafirma uma ideia essencial e poderosa. A arte não elimina a dor, mas pode torná la habitável. Em Hamnet: A Vida Antes de Hamlet, o cinema se apresenta como espaço de escuta, memória e permanência. Um filme que não busca consolar, mas compreender. E que, ao fazê lo, permite que o amor não desapareça, apenas encontre uma nova forma de existir.

Quarteto Fantástico: Primeiros Passos conquista US$ 430 milhões e reacende a chama dos super-heróis no MCU

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Foto: Reprodução/ Internet

Quando se fala em super-heróis, o nome Quarteto Fantástico carrega uma história que vai muito além das páginas dos quadrinhos. São décadas de aventuras, dramas e laços familiares que conquistaram fãs ao redor do mundo — embora, no cinema, a equipe tenha enfrentado altos e baixos, especialmente em versões passadas que não conseguiram traduzir toda essa magia para as telas.

Mas em 2025, algo mudou. Com o lançamento de Quarteto Fantástico: Primeiros Passos, a Marvel Studios fez mais do que simplesmente recontar uma história já conhecida. Ela deu um passo ousado para construir um universo novo, cheio de emoção, coragem e esperança, e o público respondeu à altura: o filme já ultrapassa a impressionante marca de US$ 430 milhões em bilheteria mundial. As informações são do Deadline.

Um renascimento esperado e celebrado

Para muitos fãs, a chegada deste filme não foi apenas um lançamento — foi a realização de um desejo antigo. Desde que a Marvel recuperou os direitos da equipe, após a compra da Fox pela Disney em 2019, as expectativas foram crescendo, e o receio de um novo fracasso rondava as discussões entre os fãs.

Mas o que viu-se nas telas foi muito além do esperado. Um roteiro que foge do clichê da origem, um elenco que transmite humanidade e química em cada cena, e uma direção sensível, que soube equilibrar ação e sentimento.

Um quarteto que é, acima de tudo, uma família

Pedro Pascal, Vanessa Kirby, Ebon Moss-Bachrach e Joseph Quinn, que dão vida a Reed, Sue, Ben e Johnny, respectivamente, não são apenas heróis com poderes extraordinários — são pessoas com dúvidas, medos, amor e conflitos reais.

O filme não perde tempo com a exposição tradicional da origem dos personagens, optando por um universo já estabelecido, onde o quarteto já é uma referência mundial. Essa escolha narrativa abre espaço para explorar as relações íntimas, os desafios do cotidiano e o impacto que a fama e a responsabilidade têm sobre cada um deles.

A chegada do bebê de Sue traz para a história um tempero especial, ampliando o tema da família e do legado. A narrativa se aprofunda no que significa proteger não só o mundo, mas aqueles que amamos, mesmo quando o preço a pagar é alto demais.

Enfrentando o cosmos: Galactus e o Surfista Prateado

Se o filme emociona pelo drama familiar, ele também impressiona pela ambição e pela grandiosidade da ameaça que apresenta. Galactus, um ser cósmico com uma fome que devora mundos, e seu arauto, o Surfista Prateado, colocam o quarteto diante do maior desafio de suas vidas — um dilema que mescla poder, sacrifício e moralidade. O embate contra forças tão vastas e incompreensíveis é tratado com respeito e criatividade, criando momentos que prendem o espectador tanto pela ação quanto pela carga emocional.

A humanidade em meio ao extraordinário

O que realmente diferencia “Primeiros Passos” de outras produções de super-heróis é a maneira como ele conecta o extraordinário com o humano. O filme aborda temas universais — medo do desconhecido, dilemas éticos, a luta para equilibrar vida pessoal e missão, o peso das expectativas — que ressoam em qualquer pessoa, independente de gostar ou não de quadrinhos.

O impacto cultural e a resposta do público

Desde a estreia, o filme tem sido um fenômeno cultural. Nas redes sociais, fãs discutem teorias, personagens favoritos e o significado das escolhas feitas pelo quarteto. Críticas elogiam o equilíbrio entre nostalgia e inovação, destacando a sensibilidade da direção e o elenco carismático. Além do sucesso comercial, que ultrapassa US$ 430 milhões, o filme reacendeu a discussão sobre o potencial da equipe no MCU e abriu portas para histórias que vão além do óbvio, mostrando que é possível trazer profundidade a produções blockbuster.

Um futuro promissor no Universo Marvel

Com uma sequência já confirmada, o futuro do Quarteto Fantástico parece brilhante. Os elementos apresentados — desde a luta contra ameaças cósmicas até os dramas familiares — abrem um leque enorme de possibilidades para explorar personagens, novas ameaças e conexões com o universo expandido da Marvel. A narrativa do “Primeiros Passos” é, como o título sugere, só o começo de uma jornada que promete emocionar e surpreender.

Diretor israelense confronta o Estado em “Yes”, sátira política que estreia nos cinemas em 12 de fevereiro

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Reconhecido por um cinema que desafia consensos e expõe tensões profundas da sociedade israelense, o cineasta Nadav Lapid apresenta ao público brasileiro seu novo longa-metragem, “Yes”, que estreia nos cinemas no dia 12 de fevereiro. A produção reafirma o lugar do diretor como uma das vozes mais inquietas do cinema contemporâneo, ao propor uma reflexão contundente sobre o papel do artista diante das estruturas de poder, da pressão institucional e da sedução exercida pelo sucesso.

Lapid construiu uma carreira marcada por obras que confrontam o nacionalismo, o militarismo e a manipulação simbólica do discurso oficial. Filmes como “Policial” (2011), “A Professora do Jardim de Infância” (2014) e “Sinônimos” (2019) — este último vencedor do Urso de Ouro no Festival de Berlim — consolidaram seu prestígio internacional e sua reputação como cineasta disposto a tensionar limites estéticos e políticos. Em “Yes”, esse olhar crítico retorna de forma ainda mais mordaz, envolto em sátira, humor corrosivo e uma narrativa emocionalmente instável.

O longa teve sua estreia mundial na Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes, vitrine tradicional para obras autorais e provocadoras, e foi eleito um dos melhores filmes do ano pela revista Cahiers du Cinéma, publicação histórica da crítica francesa. A produção também integrou a programação do Festival do Rio 2025, com sessões acompanhadas pelo próprio diretor no Brasil, ampliando o diálogo com o público latino-americano.

A trama gira em torno de Y., um músico de jazz em decadência, e Jasmine, sua esposa e parceira artística, uma dançarina que compartilha da mesma precariedade profissional. À margem do mercado cultural institucional, o casal encontra formas alternativas de sobrevivência ao oferecer apresentações privadas para clientes dispostos a pagar por experiências artísticas íntimas. Nesse contexto, arte e corpo se misturam, transformando talento em mercadoria e afeto em moeda de troca.

A dinâmica do casal muda radicalmente quando passam a ser requisitados por membros da elite política e econômica do país. O reconhecimento, porém, vem acompanhado de exigências cada vez mais explícitas. O ponto central do conflito surge quando Y. recebe a proposta de compor um novo hino nacional em troca de uma quantia financeira exorbitante. A oferta, sedutora e violenta ao mesmo tempo, coloca o protagonista diante de uma escolha que extrapola o campo profissional e invade sua esfera ética.

Mais do que um comentário sobre a indústria cultural, “Yes” funciona como uma alegoria sobre os mecanismos de cooptação do Estado e sobre o preço cobrado daqueles que aceitam se alinhar ao discurso oficial. Nadav Lapid constrói uma narrativa em que o riso surge do desconforto, da repetição absurda e do choque entre desejo individual e imposição ideológica. A comédia romântica, longe de oferecer alívio, torna-se um campo de batalha onde amor, ambição, ressentimento e oportunismo coexistem.

No papel principal, Ariel Bronz entrega uma atuação intensa, física e profundamente inquietante. Artista multifacetado, Bronz é conhecido em Israel por sua trajetória controversa nas artes performáticas e no teatro, além de trabalhos no cinema como “Out” e “Amnesia”. Sua carreira é marcada por confrontos diretos com instituições culturais e políticas, incluindo episódios de interrogatório, prisão e ameaças, o que confere ao personagem uma camada adicional de autenticidade e tensão.

Com reconhecimento internacional e prêmios importantes, como o Prêmio Rosenblum de 2018, Bronz transforma o corpo de Y. em um espaço de conflito permanente, refletindo as contradições de um artista dividido entre sobrevivência, vaidade e consciência. Sua performance dialoga diretamente com os temas centrais do filme, borrando as fronteiras entre ficção e realidade.

Lançado em um contexto global de crescente polarização política e controle simbólico, “Yes” ganha relevância para além de suas fronteiras nacionais. Embora profundamente enraizado na realidade israelense, o filme propõe questões universais sobre conformismo, censura velada e os limites éticos da criação artística em ambientes hostis à dissidência.

Saiba qual filme vai passar o Corujão desta quarta-feira, 7 de janeiro, na TV Globo

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Foto: Reprodução/ Internet

A madrugada da TV Globo desta quarta-feira, 7 de janeiro, traz uma das comédias mais marcantes do cinema nacional. O Corujão I exibe “Deus É Brasileiro”, filme dirigido por Cacá Diegues, que usa o humor e a ironia para provocar reflexões sobre religião, comportamento humano e a própria identidade do Brasil.

Na história, Deus decide se afastar temporariamente de suas funções após se decepcionar com os rumos tomados pela humanidade. Antes de partir para suas férias nas estrelas, ele precisa encontrar alguém que assuma o comando do universo durante sua ausência. Convencido de que o Brasil é um país profundamente religioso, mas paradoxalmente sem nenhum santo reconhecido oficialmente, ele escolhe o território brasileiro para procurar um substituto à altura.

Para atravessar o país, Deus conta com a companhia de Taoca, um pescador e borracheiro cheio de esperteza, que vê nesse encontro improvável a chance de resolver seus próprios problemas. Ao longo do caminho, a dupla encontra Madá, uma jovem solitária e movida por uma paixão intensa. Juntos, eles cruzam diferentes paisagens brasileiras, passando pelo litoral de Alagoas, Pernambuco e chegando ao interior do Tocantins, enquanto buscam o enigmático Quinca das Mulas, apontado como possível candidato à santidade.

O filme é protagonizado por Antonio Fagundes (O Rei do Gado, Carga Pesada), que interpreta Deus com carisma e leveza. Ao seu lado está Wagner Moura (Tropa de Elite, Narcos), em um de seus primeiros papéis de destaque no cinema, além de Paloma Duarte (Celebridade, Malhação), Hugo Carvana (O Homem que Desafiou o Diabo, Bye Bye Brasil), Stepan Nercessian (A Grande Família, Os Normais) e Susana Werner (Malhação, Vila Madalena).

Lançado em 2003, “Deus É Brasileiro” conquistou reconhecimento tanto do público quanto da crítica. Wagner Moura recebeu o Troféu APCA 2004 de Melhor Ator, e o longa foi indicado ao Grande Prêmio do Cinema Brasileiro nas categorias de Melhor Som, Fotografia e Direção de Arte. A produção também concorreu ao prêmio de Melhor Filme no Festival de Cartagena, na Colômbia.

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