A cineasta Dandara Ferreira, conhecida pela cinebiografia Meu Nome É Gal sobre Gal Costa, retorna ao cinema com um projeto totalmente diferente em linguagem e proposta. Seu novo filme, Anatomia do Caos, estreia nos cinemas no dia 2 de julho e se debruça sobre a atuação da CPI da Covid no Senado Federal como ponto de partida para entender a gestão da pandemia no Brasil.
O documentário reúne registros feitos durante o funcionamento da comissão, além de entrevistas e documentos oficiais, para reconstruir o ambiente político em que decisões sobre a crise sanitária foram debatidas publicamente. A ideia central é apresentar como esse processo se desenrolou em meio a pressões políticas, divergências e forte exposição midiática.
Como foram registrados os bastidores da CPI da Covid?
O material que sustenta o filme foi captado ao longo de 2021, quando a diretora esteve em Brasília acompanhando de perto as sessões da Comissão Parlamentar de Inquérito da Covid-19. Esse período coincidiu com o auge das investigações sobre a condução da pandemia e suas consequências no país.
As gravações mostram o cotidiano da CPI no Senado, incluindo depoimentos de autoridades, confrontos entre parlamentares e a apresentação de provas e documentos. Esse conjunto de registros ajuda a compor uma narrativa que não se limita ao resultado final da investigação, mas se concentra também no processo político em andamento.
O filme utiliza esse recorte para evidenciar como o espaço da comissão se tornou um dos principais palcos de discussão pública sobre a crise sanitária no Brasil.
O que o filme revela sobre a pandemia e suas consequências?
Além de acompanhar a CPI, “Anatomia do Caos” amplia seu olhar para o impacto da pandemia no país. O documentário relembra que mais de 700 mil brasileiros morreram em decorrência da Covid-19 e coloca em perspectiva as decisões tomadas ao longo da crise.
A obra destaca como a ausência de coordenação nacional e as disputas políticas influenciaram diretamente a resposta à emergência sanitária. Também aborda o papel da circulação de informações conflitantes, que contribuiu para aumentar a insegurança da população durante o período.
Como o documentário aborda responsabilidade e memória?
O filme de Dandara Ferreira não se limita a reconstruir acontecimentos. Ele também levanta questionamentos sobre como o país lida com a responsabilidade política após uma tragédia dessa dimensão.
A narrativa sugere que a pandemia ainda não foi plenamente assimilada pelo debate público, especialmente no que diz respeito à responsabilização de agentes políticos e à construção de uma memória coletiva mais clara sobre o período.
Nesse sentido, o documentário se posiciona como um registro que busca manter essas discussões abertas, sem oferecer conclusões definitivas, mas estimulando o espectador a refletir sobre o impacto das decisões tomadas.
Onde o filme será exibido e qual a proposta das sessões?
“Anatomia do Caos” terá lançamento nos cinemas brasileiros com sessões especiais em várias capitais. Estão previstas exibições em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Recife, Curitiba, Brasília, Manaus e Fortaleza.
Essas exibições serão acompanhadas de debates, com o objetivo de ampliar a discussão sobre os temas abordados no filme. A proposta é incentivar a participação do público e criar um espaço de diálogo sobre memória, política e os efeitos da pandemia no Brasil.






























