A Netflix resolveu entrar de vez no território dos doramas de fantasia com My Royal Nemesis, série sul-coreana que mistura romance, humor ácido, intrigas históricas e uma protagonista que passa longe do perfil tradicional das mocinhas inocentes.
A produção acompanha Kang Dan-shim, uma antiga concubina da era Joseon conhecida pela inteligência manipuladora e pela ambição dentro da corte real, que acaba despertando séculos depois no corpo de uma atriz fracassada da Coreia moderna.
O resultado é um dorama que tenta equilibrar caos, sátira social e drama sobrenatural enquanto coloca uma mulher criada no ambiente brutal do palácio real enfrentando empresários, celebridades e a lógica completamente absurda da fama contemporânea.
Quem é a vilã no centro da história?
Antes de despertar no século XXI, Kang Dan-shim era uma figura temida dentro do reino. Usando estratégia e manipulação para sobreviver na corte, ela conseguiu subir de posição até se tornar uma das mulheres mais influentes ao redor do rei. Sua trajetória, porém, termina de forma trágica depois de ser condenada à morte por envenenamento.
Mas a série transforma esse fim em apenas o começo. Séculos depois, sua alma reaparece misteriosamente dentro do corpo de Shin Seo-ri, uma atriz desconhecida que vive fazendo participações pequenas em dramas históricos. Sem entender completamente o que aconteceu, Dan-shim passa a enxergar o novo mundo como outro campo de batalha político, só que agora cercado por câmeras, redes sociais e contratos milionários.
A graça da série surge justamente do contraste entre os dois universos. Enquanto Seo-ri tentava sobreviver discretamente na indústria do entretenimento, Dan-shim assume o controle da situação sem qualquer intenção de agir como alguém comum.
Quando o episódio 4 chega à Netflix?
Com o fim dos primeiros episódios deixando várias perguntas no ar, principalmente sobre o passado misterioso de Kang Dan-shim e sua ligação com Cha Se-gye, muita gente começou a procurar quando a história continua. O episódio 4 será lançado no dia 16 de maio de 2026, diretamente no catálogo da Netflix, mantendo o cronograma semanal adotado pela plataforma para a série.
Por que o dorama começou a chamar atenção?
Parte da repercussão vem do fato de a série fugir do modelo mais tradicional de romances coreanos. Em vez de apostar em uma protagonista tímida e emocionalmente contida, My Royal Nemesis coloca no centro da história uma mulher arrogante, sarcástica e completamente imprevisível.
Dan-shim não tenta se adaptar ao mundo moderno da maneira mais gentil possível. Pelo contrário. Ela encara entrevistas, redes sociais, empresários e escândalos públicos como se estivesse jogando um grande jogo político da era Joseon. Em vários momentos, o dorama parece até brincar com a ideia de que o universo das celebridades pode ser tão cruel quanto uma disputa pelo poder dentro do palácio real.
A série também aposta bastante na tensão entre fantasia histórica e romance contemporâneo. O relacionamento entre Dan-shim e Cha Se-gye cresce em meio a provocações constantes, conflitos de ego e diálogos carregados de ironia.
Quem lidera o elenco?
A protagonista é interpretada por Lim Ji-yeon, que vem recebendo elogios pela forma como alterna entre comédia, arrogância e momentos mais dramáticos sem transformar a personagem em caricatura.
Ao lado dela está Heo Nam-jun no papel do empresário Cha Se-gye, enquanto Jang Seung-jo também integra o núcleo principal da trama.
A química entre os protagonistas rapidamente virou assunto nas redes sociais, principalmente porque a relação dos personagens foge daquele romance excessivamente delicado comum em vários doramas recentes. Aqui, boa parte da conexão nasce justamente do conflito constante entre os dois.
O que esperar dos próximos capítulos?
Os primeiros episódios já deixaram claro que a série pretende explorar mais do que apenas romance e comédia. Há pistas envolvendo maldições, eventos sobrenaturais e segredos ligados à morte de Dan-shim na era Joseon.
A trajetória de Impuros dentro do audiovisual brasileiro já ultrapassou o status de sucesso pontual. A série, que mergulha nas engrenagens do tráfico e nas disputas de poder nas periferias do Rio de Janeiro, entrou em uma nova fase mais ambiciosa. Com gravações em andamento, uma nova temporada confirmada e até planos para o cinema, o projeto mostra que ainda está longe de encerrar sua história.
Criada por Alexandre Fraga e hoje integrada ao catálogo do Disney+, a produção encontrou fôlego ao longo dos anos ao expandir sua narrativa e reposicionar seus personagens em cenários cada vez mais imprevisíveis. O resultado é uma série que evoluiu sem perder a tensão que a tornou popular.
Quando a 7ª temporada estreia no Disney+?
Não há uma data oficial definida, mas o estágio atual da produção já permite uma previsão mais concreta. Com filmagens acontecendo no Rio de Janeiro, a sétima temporada deve chegar apenas entre 2027 e o início de 2028.
Esse intervalo mais longo não é exatamente um problema. Pelo contrário, indica um processo de produção cuidadoso, com atenção a detalhes que vão desde locações até a construção dos arcos narrativos. A série nunca trabalhou com lançamentos apressados, e tudo indica que isso continuará sendo uma prioridade.
A 7ª temporada já está confirmada?
Sim, e com um detalhe que chama atenção. A nova temporada foi aprovada antes mesmo da estreia do sexto ano no streaming, o que não é comum nem para produções consolidadas.
Esse movimento reforça o peso de Impuros dentro da The Walt Disney Company, que mantém a série como uma das principais apostas nacionais. A decisão também revela um planejamento mais amplo, com a história sendo pensada a longo prazo, e não apenas temporada por temporada.
O que aconteceu na 6ª temporada?
O sexto ano não economizou em intensidade. Evandro, interpretado por Raphael Logam, passa a agir movido por um impulso mais emocional do que estratégico após sofrer um ataque direto à sua família. Essa mudança de postura altera completamente o equilíbrio de forças dentro da narrativa.
Ao mesmo tempo, Morello, vivido por Rui Ricardo Diaz, reorganiza sua atuação e se aproxima de figuras ligadas à milícia e a antigos setores da polícia. Esse novo arranjo cria um ambiente ainda mais instável, onde alianças são frágeis e interesses mudam rapidamente.
A temporada aposta menos em ascensão e mais em desgaste. Os personagens já não estão construindo poder, mas tentando mantê-lo em meio a um cenário que parece desmoronar a cada episódio.
O universo de Impuros vai virar filme?
A expansão da história já começou a sair do papel. Um longa derivado está em desenvolvimento, com a proposta de explorar novos recortes dentro do mesmo universo.
Ainda não há detalhes sobre trama ou personagens centrais, mas a ideia é clara. O projeto pretende levar Impuros além do formato de série, testando novas possibilidades narrativas e alcançando um público ainda maior.
Esse tipo de movimento costuma acontecer quando uma produção já construiu uma base sólida e consegue sustentar histórias paralelas sem depender exclusivamente da trama principal.
Como a série evoluiu ao longo das temporadas?
A evolução da série não aconteceu apenas na história, mas também na forma como ela é contada. O que começou como um retrato mais direto da ascensão no tráfico foi se transformando em uma narrativa mais ampla, que inclui disputas políticas, influência econômica e diferentes camadas do crime organizado.
A mudança de plataforma também teve impacto. Ao sair do canal premium e chegar ao streaming, a série ganhou mais visibilidade e passou a dialogar com um público maior, o que influenciou a construção de seus arcos mais recentes.
Hoje, a trama não depende de um único protagonista. Ela funciona como um sistema, onde cada personagem representa uma peça dentro de um jogo maior.
O que esperar da 7ª temporada?
A próxima fase deve aprofundar justamente esse cenário de instabilidade. Com relações desgastadas e interesses conflitantes, a tendência é que a história avance para confrontos mais diretos e decisões com consequências irreversíveis.
Evandro continua como figura central, mas já não é o mesmo personagem de temporadas anteriores. A expectativa é de que ele enfrente não apenas inimigos externos, mas também o peso das escolhas que fez até aqui.
Ao mesmo tempo, personagens secundários devem ganhar mais espaço, ampliando a visão sobre o funcionamento desse universo e criando novas frentes narrativas.
Desde 2020, o Rancho Skinwalker se consolidou como um dos lugares mais intrigantes do planeta quando o assunto são fenômenos aéreos não identificados e eventos fora dos padrões conhecidos da ciência. Sob a liderança do astrofísico e engenheiro Dr. Travis Taylor, figura já familiar ao público por O Segredo do Rancho Skinwalker, o local deixou de ser apenas alvo de lendas para se tornar um campo permanente de investigação científica. Agora, essa busca por respostas ganha novos contornos com a chegada da terceira temporada de Além de Skinwalker (Beyond Skinwalker Ranch), que estreia nesta sexta-feira.
Diferente das temporadas anteriores, a nova fase da série decide ir além dos limites do rancho localizado em Utah. A proposta é ampliar o mapa das investigações e verificar se os fenômenos registrados ali também se manifestam em outros pontos dos Estados Unidos. A equipe passa a visitar regiões marcadas por relatos recorrentes de atividades anômalas, como aparições de orbes luminosos, alterações eletromagnéticas e avistamentos frequentes de objetos voadores não identificados.
O time de investigadores reúne especialistas de diferentes áreas. Além de Travis Taylor, a produção conta com o ex-agente da CIA Andrew Bustamante e o jornalista investigativo Paul Beban, premiado por seu trabalho de apuração em temas sensíveis e de difícil comprovação. Juntos, eles buscam evidências que sustentem a hipótese de que os eventos observados em Skinwalker não são isolados, mas parte de um fenômeno mais amplo e repetido em diferentes regiões do país.
Ao longo da terceira temporada, novas tecnologias passam a ser utilizadas para coleta e análise de dados, permitindo registros mais precisos e comparações entre os locais investigados. A série também incorpora o relato do autor Chris Bledsoe, conhecido por afirmar ter vivido um encontro direto com óvnis. Seu testemunho serve como ponto de partida para experimentos e análises que tentam cruzar experiências humanas com dados científicos.
O episódio de estreia, “Montanha Misteriosa”, leva a equipe ao norte da Califórnia, onde Andy e Paul investigam o Monte Shasta, um dos locais mais cercados por relatos de fenômenos incomuns e considerado por muitos um poderoso centro de energia. Associado a histórias antigas e observações recentes, o local surpreende os investigadores, que percebem que diversas lendas populares possuem base em acontecimentos documentados. A partir dessa descoberta, Além de Skinwalker reforça sua proposta central: questionar os limites entre mito, ciência e realidade, em uma busca contínua por respostas ainda desconhecidas.
Neste sábado, 16 de agosto, o Cine Aventura, na Record TV, traz uma história que promete encantar crianças, jovens e adultos. Às 15h, o público terá a oportunidade de conhecer Alice e Peter: Onde Nascem os Sonhos, um filme que mergulha nas origens de personagens tão conhecidos do imaginário coletivo quanto Alice, do País das Maravilhas, e Peter Pan, da Terra do Nunca. Diferente das adaptações clássicas, a produção apresenta os dois como irmãos e explora a infância deles, revelando como suas experiências moldaram as aventuras que se tornariam tão famosas nos contos de fadas.
Dirigido por Brenda Chapman, co-diretora do aclamado filme Valente, e lançado em 2020, o longa mescla drama e fantasia em uma narrativa delicada, que toca temas universais como a perda, a imaginação e o vínculo familiar. Com um elenco estrelado incluindo Angelina Jolie, David Oyelowo, Anna Chancellor, Clarke Peters, Gugu Mbatha-Raw, Michael Caine, David Gyasi e Derek Jacobi, a produção se destaca pela sofisticação de suas interpretações e pela riqueza de seu universo visual.
A premissa do filme é ao mesmo tempo simples e profundamente tocante: Alice e Peter são irmãos que tentam lidar com a dor da perda de seu irmão mais velho, ao mesmo tempo em que descobrem a força da imaginação. Antes de se tornarem símbolos de mundos fantásticos, eles enfrentam os desafios comuns da infância, incluindo a dificuldade de superar traumas e de se conectar com seus pais em luto. É nessa delicada mistura de realidade e fantasia que o filme encontra sua beleza e sua força narrativa.
O roteiro, sensível e bem estruturado, apresenta aos espectadores uma versão inédita dos personagens, permitindo que conheçamos sua vida familiar, suas descobertas e o modo como a imaginação se tornou um refúgio para enfrentar a dor. A narrativa propõe um olhar afetivo sobre como histórias de fantasia podem emergir de experiências humanas universais, mostrando que até os mundos mais extraordinários nascem de sentimentos genuínos.
Um elenco de peso
O elenco do longa é um dos grandes destaques da produção. Angelina Jolie, como Rose Littleton, entrega uma interpretação que mistura firmeza e ternura, mostrando uma mãe que, mesmo sofrendo com a perda, se esforça para manter a família unida. Ao lado dela, David Oyelowo, como Jack Littleton, dá vida a um pai preocupado e sensível, que busca proteger os filhos do luto e das adversidades.
As crianças Keira Chansa (Alice) e Jordan Nash (Peter) encantam com a naturalidade de suas performances, transmitindo emoção e inocência de forma cativante. O restante do elenco, incluindo Anna Chancellor, Clarke Peters, Gugu Mbatha-Raw, Michael Caine, David Gyasi e Derek Jacobi, contribui com personagens memoráveis que enriquecem o universo do filme e oferecem camadas adicionais à narrativa.
O elenco também atua como produtores, o que demonstra um comprometimento ainda maior com a história. Angelina Jolie e David Oyelowo, por exemplo, estiveram diretamente envolvidos na produção, garantindo que a narrativa mantivesse coerência emocional e sensibilidade estética.
Produção e cenário
A produção de filme começou a ganhar forma em 2016, quando Brenda Chapman foi contratada para dirigir o projeto. O filme contou com financiamento de diferentes estúdios e produtoras, incluindo Ace Pictures, Creasun Entertainment USA e Tin Res Entertainment, com uma equipe executiva robusta liderada por profissionais como David Haring, Minglu Ma e Timur Bekbosunov.
As filmagens ocorreram em locais cuidadosamente escolhidos para criar uma atmosfera de encantamento e realismo. Shad Thames, em Londres, serviu como palco urbano, enquanto o Windsor Great Park e a região ao redor da lagoa de Johnson trouxeram o frescor e a liberdade da natureza para a narrativa. A produção ainda se deslocou para Los Angeles para concluir as filmagens, mantendo um padrão visual consistente e explorando diferentes paisagens que reforçam o aspecto fantástico do filme.
A direção de arte e o design de produção se destacam por equilibrar elementos de fantasia e realidade, criando cenários que parecem saídos de um livro de contos de fadas, mas que permanecem ancorados em uma história de emoções autênticas. Essa abordagem permite que o espectador se conecte tanto com os personagens quanto com os mundos que eles imaginam.
Lançamento e recepção
O filme teve sua estreia mundial no Festival de Cinema de Sundance em janeiro de 2020, recebendo atenção por sua abordagem única e seu elenco de destaque. Nos Estados Unidos, foi lançado em 13 de novembro do mesmo ano pela Relativity Media, marcando o primeiro filme da distribuidora a chegar aos cinemas em quatro anos. No Reino Unido, o lançamento ocorreu em dezembro de 2020.
Apesar do elenco e da produção robusta, o filme recebeu críticas mistas. No Rotten Tomatoes, apenas 36% das resenhas foram positivas, enquanto no Metacritic, a pontuação média ponderada foi de 43 em 100. Alguns críticos apontaram que o filme não alcançou toda a magia que propunha, apesar de reconhecerem o mérito de seu visual e das performances.
Entretanto, outras análises foram bastante favoráveis, destacando a sensibilidade da narrativa e seu potencial de se tornar um clássico infantil. Ben Pearson, da Slash Film, afirmou que o filme é “um novo clássico infantil” capaz de encantar gerações futuras, enquanto John DeFore, do The Hollywood Reporter, criticou a execução, mas elogiou o elenco e a beleza da produção. Esse contraste revela que, apesar de não ter agradado a todos os críticos, o filme tem potencial para conquistar o coração do público, especialmente crianças e famílias.
Temas universais e relevância
O grande mérito de do filme é sua capacidade de tratar de temas profundos de forma acessível e delicada. A narrativa aborda a perda, o luto e a resiliência, mas sempre com uma abordagem poética que convida à imaginação. O filme mostra como a infância, mesmo diante de desafios, pode ser um período de descobertas e de criação de mundos próprios.
Além disso, ao explorar a relação entre irmãos e a importância do vínculo familiar, o longa reforça valores universais, como empatia, compreensão e amor incondicional. Essa combinação de fantasia e realidade faz com que a história seja rica não apenas visualmente, mas também emocionalmente, oferecendo uma experiência completa ao espectador.
Tem filmes que não são apenas filmes. São reencontros. Fragmentos de vida que voltam à tona por meio da câmera, da música, do silêncio e, sobretudo, da memória. O agente secreto, novo longa-metragem de Kleber Mendonça Filho, é um desses casos raros em que o cinema deixa de ser só entretenimento e se torna também um gesto de retorno, escuta e resistência.
No dia 10 de setembro, essa história começa seu percurso em solo brasileiro — e o local escolhido para esse pontapé inicial é simbólico e carregado de emoção: o Cinema São Luiz e o Teatro do Parque, dois espaços históricos no coração do Recife, serão os palcos simultâneos das primeiras exibições do filme. E não é por acaso. Fundado em 1952, o São Luiz foi restaurado recentemente e, além de acolher a estreia, também serviu como locação para o próprio longa. O Teatro do Parque, inaugurado em 1919, compartilha o mesmo fôlego de resistência e memória. Ambos se tornaram mais do que lugares: são guardiões da história afetiva da cidade.
Essas sessões inaugurais contarão com a presença do diretor Kleber Mendonça Filho, da produtora Emilie Lesclaux, da distribuidora Silvia Cruz e de boa parte do elenco estelar do filme, incluindo nomes como Wagner Moura, Maria Fernanda Cândido, Tânia Maria, Carlos Francisco, Isabel Zuaa, Robério Diógenes e Laura Lufési. A pré-venda dos ingressos começa no dia 4 de agosto e, para quem conhece a força do cinema de Kleber, é bom garantir lugar logo: não há dúvidas de que será uma noite memorável para o Recife.
Recife como cenário, personagem e pulsação
O agente secreto se passa em 1977, período em que o Brasil vivia sob a sombra da ditadura militar. O protagonista Marcelo, interpretado por Wagner Moura, é um técnico em eletrônica que retorna à sua cidade natal, o Recife, após anos afastado. A busca por um recomeço, no entanto, se revela um mergulho em territórios instáveis — tanto na cidade quanto em sua própria alma. A trama se desenrola como um thriller político, tenso e atmosférico, mas sem perder a dimensão profundamente humana dos filmes de Kleber.
A escolha de ambientar a narrativa no Recife não é apenas geográfica. É existencial. A cidade não é pano de fundo — é corpo, tempo, cheiro, memória. Ela influencia as escolhas de Marcelo, suas angústias, suas fugas. O centro da cidade, com suas esquinas marcadas pelo abandono e pela beleza decadente, torna-se um espelho do próprio país naquele momento histórico.
Kleber, que já havia filmado o Recife com maestria em O som ao redor e Aquarius, volta a colocar a cidade no centro da discussão. E o faz sem idealizações: há beleza, mas também sujeira; há poesia, mas também tensão. É um Recife de carne e osso.
A estreia que é também um manifesto
Não é exagero dizer que o lançamento do filme no Cinema São Luiz e no Teatro do Parque tem um peso quase histórico. Em um Brasil onde cinemas de rua seguem fechando as portas e teatros são constantemente ameaçados por cortes de verba e abandono, reocupar esses espaços com uma obra que dialoga diretamente com o país e seu passado é, também, um ato político.
Kleber Mendonça Filho nunca escondeu seu compromisso com o cinema de resistência. Seja por suas escolhas estéticas ou por suas posturas públicas, ele é hoje uma das vozes mais potentes do audiovisual brasileiro. E nesse novo trabalho, a ideia de resistência aparece não só no conteúdo, mas na forma: ao estrear o filme nesses espaços emblemáticos, ele reafirma o valor da experiência coletiva da sala escura — aquela em que o público se emociona junto, em silêncio.
Além disso, o evento ganha contornos ainda mais emocionantes por acontecer na cidade onde tudo começou. Kleber nasceu e cresceu no Recife. Começou sua carreira como crítico, fez curtas-metragens experimentais e construiu sua filmografia de forma orgânica, quase artesanal, sempre com os pés fincados na cidade. O agente secreto, nesse sentido, é também uma volta para casa — mas uma volta crítica, inquieta, disposta a mexer nas feridas.
Um longa que já conquistou o mundo
Antes mesmo de estrear nos cinemas brasileiros, O agente secreto já coleciona prêmios e aplausos nos quatro cantos do mundo. O filme fez sua estreia mundial no Festival de Cannes, onde foi aclamado pela crítica e saiu com quatro prêmios importantes: Melhor Diretor, para Kleber Mendonça Filho; Melhor Ator, para Wagner Moura; o Prêmio FIPRESCI, da Federação Internacional de Críticos de Cinema; e o Prêmio Art et Essai, concedido pela AFCAE (Associação Francesa de Cinema de Arte).
Desde então, passou por festivais como o New Horizons, na Polônia; o Festival de Cinema de Sydney, na Austrália; o Cinéma Paradiso Louvre, na França, onde foi exibido ao ar livre nos jardins do museu; e mais recentemente, esgotou todas as sessões de pré-estreia em Portugal. O próximo passo da jornada internacional será o Festival de Toronto (TIFF), onde integra a cobiçada seleção Special Presentations — espaço dedicado a filmes com potencial artístico e impacto global.
O que torna tudo isso ainda mais impressionante é o fato de que o filme já tem lançamento garantido em nada menos que 94 países, incluindo gigantes como Estados Unidos, China, Coreia do Sul, México, Alemanha, Grécia, Índia, Nova Zelândia e Finlândia. A comercialização internacional está sendo feita pela MK2, uma das maiores distribuidoras da Europa, o que reforça o alcance da obra.
No Brasil, a estreia oficial está marcada para o dia 6 de novembro, em circuito comercial. Mas as exibições especiais — que começam por Recife — seguirão por outras capitais em setembro e outubro.
Uma rede de talentos por trás e diante das câmeras
O elenco de O agente secreto é um espetáculo à parte. Além de Wagner Moura, um dos atores brasileiros mais reconhecidos internacionalmente, o filme conta com nomes como Maria Fernanda Cândido, Gabriel Leone, Hermila Guedes, Carlos Francisco, Isabel Zuaa, Alice Carvalho, Tânia Maria, entre muitos outros. É um elenco diverso, comprometido, que entrega atuações densas e carregadas de subtexto.
E não é só na frente das câmeras que a força se revela. A produção é assinada por Emilie Lesclaux, parceira de Kleber desde os primeiros projetos, e é uma coprodução entre o Brasil (CinemaScópio), a França (MK Productions), a Holanda (Lemming Film) e a Alemanha (One Two Films). No Brasil, o filme será distribuído pela Vitrine Filmes, responsável por trazer ao público nacional alguns dos títulos mais relevantes do cinema contemporâneo. No exterior, os direitos foram adquiridos por distribuidoras de peso como NEON (nos EUA e Canadá) e MUBI (no Reino Unido, Irlanda, Índia e América Latina, com exceção do Brasil).
Mais que um filme, um convite ao olhar
Com O agente secreto, Kleber Mendonça Filho mais uma vez prova que é possível fazer cinema autoral e, ao mesmo tempo, impactante. O filme não oferece respostas fáceis, não cai em maniqueísmos. Ele provoca. Cutuca. Incomoda. E talvez por isso mesmo seja tão necessário.
Num país que insiste em esquecer, Kleber filma para lembrar. Filma para costurar as brechas da história com poesia, crítica e humanidade. E se o cinema ainda é uma forma de enxergar o mundo — e de transformar esse olhar em ação —, então O agente secreto chega na hora certa.
Elenco completo
Albert Tenório (Olho por Olho, O Ano em Que Meus Pais Saíram de Férias), Alice Carvalho (O Som ao Redor, Bacurau, Marighella), Aline Marta (O Grande Circo Místico, O Outro Lado do Paraíso), Buda Lira (Cidade dos Homens, Dois Irmãos), Carlos Francisco (Tatuagem, Bacurau, Marighella), Edilson Silva (Bacurau, O Doutrinador), Enzo Nunes (Cidade Invisível), Erivaldo Oliveira (O Outro Lado do Paraíso), Fabiana Pirro (Bacurau), Fafá Dantas (Tatuagem), Gabriel Leone (Dom, Bacurau, Onde Está Meu Coração), Geane Albuquerque (Cidade Invisível), Gregorio Graziosi (Sessão de Terapia, Malhação), Hermila Guedes (O Auto da Compadecida, O Som ao Redor), Igor de Araújo (Sob Pressão), Isabel Zuaa (Bacurau, Marighella), Isadora Ruppert (Aruanas), Ítalo Martins (Malhação, Desalma), João Vitor Silva (Filhos da Pátria), Joalisson Cunha (Marighella), Kaiony Venancio (Cidade dos Homens), Laura Lufési (O Som ao Redor, Bacurau), Licínio Januário (Bacurau), Luciano Chirolli (Marighella), Marcelo Valle (Sob Pressão, Dom), Márcio de Paula (Bacurau), Maria Fernanda Cândido (O Outro Lado do Paraíso, A Muralha), Nivaldo Nascimento (Bacurau, Marighella), Robério Diógenes (Bacurau), Robson Andrade (Bacurau), Roney Villela (Bacurau), Rubens Santos (Marighella), Suzy Lopes (Amor de Mãe), Tânia Maria (Cinema Novo), Thomás Aquino (Bacurau, O Som ao Redor), Udo Kier (Melancolia, Drácula de Bram Stoker) e Wilson Rabelo (Marighella).
Imagina conhecer um vizinho que te arrasta para uma noite insana de exploração urbana, shows punk e até umas discussões sobre antiguidades paleolíticas (pois é, bem aleatório mesmo). Essa é a vibe de Friendship, a nova comédia estrelada por Paul Rudd (Homem-Formiga) e Tim Robinson (Pânico 5) que já ganhou seu primeiro trailer. E olha… parece que vem coisa boa por aí!
Dirigido e roteirizado por Andrew DeYoung (Caçadoras de Recompensas), o filme traz ainda Kate Mara (Quarteto Fantástico), Meredith Garretson, Jack Dylan Grazer, Josh Segarra e Jon Glaser no elenco. A produção é da queridinha A24, que dispensa apresentações com seus sucessos diferentões, como Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo.
Uma amizade que dá ruim
A trama gira em torno de Craig Waterman (Robinson), um pai de família que leva uma vida sossegada até cruzar o caminho do novo vizinho Austin Carmichael (Rudd), um cara misterioso e absurdamente carismático. O bromance entre eles parece promissor, até que Craig começa a agir de forma… digamos, intensa demais. E como já era de se esperar, a amizade desanda com direito a tretas hilárias e situações completamente fora do controle.
Quando chega?
A estreia rola em maio nos Estados Unidos. Por aqui, ainda não tem previsão — mas bora torcer para a A24 não fazer a gente esperar muito, né? Se não for nos cinemas, que venha pelo streaming.
Sem dúvidas! Paul Rudd é sempre garantia de diversão, e Tim Robinson tem um humor caótico que casa perfeitamente com essa premissa meio absurda. Com a assinatura da A24, é quase certo que Friendship vai misturar boas risadas com aquele toque de “pera, o que eu acabei de assistir?”.
Se você curte uma comédia fora do padrão com pitadas de caos e bizarrices, coloca Friendship no seu radar. Porque, convenhamos: amizades improváveis e desastres hilários são sempre uma boa pedida. 🎸
Resumo da novela A Infância de Romeu e Julieta de 21/11/2023, terça-feira. A exibição está prevista para acontecer às 21h, no SBT.
No capítulo da novela A Infância de Romeu e Julieta, Leandro concorda com a proposta do acampamento, mas instrui Enzo a cuidar e garantir a segurança de seus netos. Alex busca orientação de Karen sobre Lívia; Karen mente, aconselhando Alex a rejeitar Lívia, na esperança de que assim ela o persiga. Glaucia observa Vera saindo bem arrumada do Monter Mercado e suspeita de traição no relacionamento com Bernardo. Um homem misterioso questiona Mariana sobre o número de funcionários no Armazém, paga a conta e parte. No Boulevard Verona, Basílio ordena que Muke e Trapaça distraiam o segurança enquanto ele realiza um roubo em plena luz do dia em uma joalheria. Telma compartilha com Karen e Lívia suas dificuldades financeiras, explicando que só pode enviar uma delas para o acampamento.
Ainda no capítulo de A Infância de Romeu e Julieta, Mauro autoriza Alex a participar do acampamento; Ian expressa o desejo de acompanhá-lo para colocar suas habilidades de escoteiro em prática. Glaucia, em conversa com Bernardo, insinua que Vera está traindo o casamento com o irmão. Mariana percebe que está sendo seguida pelo homem misterioso e busca ajuda na academia de Mauro. Vitor solicita um aumento a Glaucia e a chantageia com um segredo. Basílio instrui a gangue Pedalzera a pegar alimentos no Monter Mercado. Romeu, Julieta, Nando e Lívia investigam a barraca de Bassânio em busca de evidências para inocentar o amigo. Mariana, finalmente corajosa, confronta o homem misterioso.
O resumo da novela A Infância de Romeu e Julieta é de total responsabilidade da emissora, de modo que o Almanaque Geek se isenta de possíveis mudanças na exibição.
Resumo da novela A Infância de Romeu e Julieta de 13/07/2023, quinta-feira. A exibição está prevista para acontecer às 21h, no SBT.
No resumo do capítulo da novela A Infância de Romeu e Julieta – Téo, um dos amigos de Romeu, estava animado ao ler o bilhete que acompanhava a nova chuteira que ele havia recebido. No bilhete, Romeu pedia desculpas em nome do Lado Torre, um grupo de amigos do Residencial Verona ao qual eles pertenciam. Era evidente que Romeu queria consertar alguma situação que havia ocorrido entre eles. Enquanto isso, Leandro, o avô de Romeu, decidiu convocar Romeu e Nando para passarem o dia com ele em seu escritório. Ele prometia ensinar-lhes importantes valores e compartilhar histórias familiares que moldaram a trajetória da família. Romeu e Nando estavam curiosos para aprender com seu avô, ansiosos por esse momento especial juntos.
No entanto, Ian não queria ficar em casa sozinho. Ele sentia-se entediado e procurava uma companhia. Então, ele pediu a Alex para sair junto, mas Alex negou seu pedido, pois tinha outros compromissos. Ian ficou desapontado, mas não desistiu. Diante dessa situação, ele foi deixado com seu amigo imaginário, Leon, como única companhia. Enquanto isso, no escritório de Leandro, o avô compartilhava com os netos a história de Flávia Monteiro, sua mãe e avó deles. Ele explicava como ela foi uma figura fundamental na construção do império da família, revelando detalhes de suas conquistas e desafios ao longo dos anos. Romeu e Nando se sentiam inspirados ao ouvir sobre o legado deixado por sua bisavó. Ao mesmo tempo, Julieta, preocupada com o paradeiro de Romeu, decidiu procurar Karen em busca de notícias. No entanto, Karen, com segundas intenções, mentiu para Julieta e insinuou que o problema residia na rivalidade entre elas. Isso deixou Julieta ainda mais inquieta e determinada a descobrir a verdade sobre Romeu. Enquanto isso, Hélio confrontou Clara sobre sua tentativa de levar Victor para trabalhar no CEC. Ele ressaltou que suas tentativas anteriores no campo da estufa também foram frustradas, questionando as intenções de Clara. A discussão revelou tensões entre eles, evidenciando que havia questões não resolvidas que precisavam ser enfrentadas. Mari e Amanda, por sua vez, estavam ocupadas entrevistando candidatos para uma vaga de emprego. Dentre os candidatos, Patrick se destacou com seus resultados impressionantes. Sua experiência e habilidades tornaram-no um forte concorrente, deixando Mari e Amanda intrigadas e ansiosas para tomar uma decisão.
Enquanto isso, a gangue Pedalzera decidiu realizar mais uma de suas travessuras e escolheram o carrinho de pipoca de Bassânio como alvo. Eles planejavam fazer algumas modificações e deixar o pipoqueiro perplexo. No entanto, quando confrontados por Bassânio, que buscava respostas sobre a brincadeira, as crianças ficaram sem saber como reagir. Diante das dificuldades de Nath em brincar de forma imaginativa, Ellen e Ian decidiram levá-la para conversar com Clara. Eles acreditavam que Clara poderia ajudar Nath, já que ela tinha conhecimento sobre o Mundo da Imaginação, um lugar mágico onde tudo é possível. Clara revelou a existência desse mundo para Nath, deixando-a maravilhada e esperançosa. Durante o processo seletivo, Patrick continuou a se destacar como o candidato com melhores resultados. Sua dedicação e habilidades impressionaram Mari e Amanda, tornando a decisão cada vez mais difícil. Eles reconheceram que Patrick era um forte concorrente e poderia ser uma adição valiosa à equipe. Hélio, considerando as circunstâncias, decidiu permitir que Karen, Rosalina e Alex retornassem ao treino no CEC, mas dessa vez sem mentiras. Ele reconheceu que todos mereciam uma segunda chance e que era importante reconstruir a confiança entre eles.
Ainda na novela A Infância de Romeu e Julieta, Bassânio seguiu uma pista fornecida pelo Pedalzera e encontrou Victor em uma casa próxima. Ele questionou Victor sobre o roubo de seu carrinho de pipoca, mas Victor negou ser o responsável. Bassânio percebeu que havia mais para descobrir sobre o incidente e estava determinado a encontrar a verdade. Em outro lugar, Telma encontrou Mauro no hall do prédio e compartilhou a notícia do incêndio no apartamento. Ela expressou sua preocupação com Alex e Ian, que ficavam sozinhos durante a maior parte do dia. Foi nesse momento que Telma descobriu que Mauro era o vizinho e pai dos meninos. Eles conversaram sobre as responsabilidades de serem pais e como era importante apoiar uns aos outros em momentos difíceis. Victor, em busca de uma nova oportunidade, procurou Glaucia para expressar seu interesse em trabalhar no Monter Mercado. Ele sabia que era hora de seguir em frente e estava disposto a trabalhar duro para construir um futuro melhor para si mesmo. Glaucia considerou a proposta de Victor, reconhecendo sua determinação e dando a ele a chance de provar seu valor.
O resumo da novela A Infância de Romeu e Julieta é de total responsabilidade da emissora, de modo que o Almanaque Geek se isenta de possíveis mudanças na exibição.
Quem prefere assistir aos filmes em casa já pode acompanhar a próxima etapa de Todo Mundo em Pânico 6. A Paramount confirmou que a comédia ficará disponível para compra e aluguel digital na América do Norte a partir de 21 de julho. O lançamento será feito nas principais plataformas de vídeo sob demanda, incluindo Prime Video, Apple TV e Fandango at Home.
A informação, porém, vale apenas para os Estados Unidos e o Canadá. No Brasil, a distribuidora ainda não divulgou quando o longa poderá ser comprado ou alugado nas plataformas digitais. Também não existe, por enquanto, uma previsão para sua chegada ao catálogo de algum serviço de streaming por assinatura.
O calendário internacional costuma variar conforme os acordos de distribuição de cada mercado. Em produções recentes da Paramount, alguns filmes estrearam no Brasil poucas semanas depois do lançamento digital norte-americano, mas o estúdio ainda não informou se seguirá a mesma estratégia com Todo Mundo em Pânico 6.
O novo capítulo coloca a franquia novamente nas mãos da família Wayans. Marlon Wayans, Shawn Wayans e Keenen Ivory Wayans voltaram a participar da criação do roteiro depois de mais de duas décadas afastados da série. Desde Todo Mundo em Pânico 2, lançado em 2001, eles não participavam diretamente do desenvolvimento de um filme da franquia.
O retorno também reúne personagens que ajudaram a popularizar os primeiros longas. Anna Faris interpreta novamente Cindy Campbell, Regina Hall volta como Brenda Meeks, Marlon Wayans reprisa o papel de Shorty Meeks e Shawn Wayans retorna como Ray Wilkins. A direção ficou a cargo de Michael Tiddes, parceiro frequente de Marlon Wayans em projetos de comédia.
A história acompanha um novo ciclo de assassinatos inspirados nos crimes do primeiro filme. Com o reaparecimento de um Ghostface, Cindy e seus antigos amigos acabam sendo envolvidos em mais uma sequência de situações absurdas. O roteiro ainda apresenta Sara e Tuesday Campbell, filhas de Cindy, que passam a ocupar um papel importante na trama.
O humor continua baseado nas referências à cultura pop, mas desta vez o alvo vai além dos filmes de terror. A produção faz piadas com a onda de remakes, continuações tardias e reboots que domina Hollywood, sem deixar de lado influenciadores, redes sociais, transmissões ao vivo e outros fenômenos recentes da internet. Em vários momentos, o filme brinca até com a própria trajetória da franquia e com a dificuldade de encontrar espaço para novos protagonistas.
Poucas franquias conseguem transformar sucesso em expectativa de forma tão imediata quanto Duna. Apenas um dia após a consagração de Duna: Parte Dois no Oscar, onde o longa conquistou impressionantes 11 estatuetas e empatou um recorde histórico da premiação, a Warner Bros. Pictures surpreendeu o público ao divulgar o primeiro trailer de Duna: Parte 3 — e, com ele, um vislumbre do que promete ser o capítulo mais intenso e filosófico da trilogia.
Dirigido novamente por Denis Villeneuve (Blade Runner 2049; A Chegada), o novo filme adapta o romance “Messias de Duna”, publicado em 1969 por Frank Herbert (Duna; Os Filhos de Duna). Diferente da jornada de ascensão apresentada nos filmes anteriores, essa nova etapa mergulha nas consequências do poder — e no peso que ele carrega.
Um herói coroado… e questionado
O trailer deixa claro desde os primeiros segundos: Paul Atreides já não é apenas um líder. Agora imperador, ele carrega o título de figura messiânica, mas também o fardo de decisões que impactam todo o universo conhecido. Timothée Chalamet (Wonka; Me Chame Pelo Seu Nome) retorna ao papel com uma presença mais contida e, ao mesmo tempo, mais perturbadora. Há um olhar de desgaste, quase como se o personagem já previsse o próprio colapso.
Ao seu lado, Zendaya (Euphoria; Homem-Aranha: Sem Volta Para Casa) retoma o papel de Chani, agora não apenas como aliada, mas como uma voz crítica dentro da própria narrativa. O relacionamento entre os dois, que antes era marcado por cumplicidade e descoberta, ganha tons mais densos, refletindo conflitos ideológicos e emocionais.
Essa mudança de tom é essencial para entender o que Villeneuve pretende com o terceiro filme. Se os anteriores eram sobre destino e conquista, este parece ser sobre as consequências inevitáveis de acreditar demais em um salvador.
Um elenco grandioso para um universo em crise
Além de Chalamet e Zendaya, o filme traz de volta nomes já consolidados na franquia, como Rebecca Ferguson (Missão: Impossível – Nação Secreta; Doutor Sono) como Lady Jessica, Josh Brolin (Vingadores: Guerra Infinita; Sicario) como Gurney Halleck e Javier Bardem (Onde os Fracos Não Têm Vez; 007 – Operação Skyfall) como Stilgar.
O núcleo político se expande com Florence Pugh (Oppenheimer; Adoráveis Mulheres) como a Princesa Irulan, agora peça-chave dentro das articulações do império, enquanto Anya Taylor-Joy (O Gambito da Rainha; A Bruxa) assume de vez o papel de Alia Atreides, prometendo uma presença ainda mais enigmática e poderosa.
Mas uma das adições mais aguardadas é Robert Pattinson (The Batman; O Farol), que interpreta o vilão Scytale. No trailer, sua presença é breve, mas suficiente para sugerir um antagonista manipulador e imprevisível — alguém que atua nas sombras para desestabilizar o império de Paul.
Outro retorno que chama atenção é o de Jason Momoa (Aquaman; Velozes & Furiosos 10) como Duncan Idaho, personagem que, mesmo após eventos anteriores, volta a ter papel importante dentro da trama, agora envolto em mistério.
Uma história sobre poder — e suas rachaduras
Baseado em “Messias de Duna”, o novo filme se afasta da estrutura clássica de jornada do herói para explorar um território mais complexo. Aqui, o foco não está em vencer batalhas externas, mas em lidar com conflitos internos e políticos que ameaçam ruir tudo o que foi construído.
O trailer reforça essa ideia ao apresentar um clima mais sombrio, com diálogos carregados de tensão e imagens que destacam isolamento, dúvida e manipulação. Não há mais espaço para ingenuidade. Cada decisão parece ter um preço — e Paul começa a perceber que talvez tenha ido longe demais.
Villeneuve já havia sinalizado, desde os primeiros filmes, que pretendia encerrar a história como uma trilogia. E tudo indica que este será o capítulo mais ousado em termos narrativos, justamente por subverter expectativas e questionar o próprio conceito de “herói”.
Produção ambiciosa e estética refinada
As filmagens de Duna: Parte 3 aconteceram entre julho e novembro de 2025, passando por locações como Budapeste e Abu Dhabi. O deserto, elemento central da franquia, retorna com ainda mais imponência, agora explorado tanto em película de 65 mm quanto em câmeras IMAX para intensificar a sensação de escala e brutalidade.
Na trilha sonora, Hans Zimmer (Interestelar; O Rei Leão) retorna para dar continuidade à identidade sonora da saga, prometendo uma abordagem ainda mais imersiva e emocional.
Outro detalhe que chama atenção é a mudança na direção de fotografia, agora sob responsabilidade de Linus Sandgren, que substitui Greig Fraser. A expectativa é que essa transição traga uma nova textura visual, mantendo a grandiosidade, mas explorando nuances mais intimistas.
O peso de encerrar uma saga
Desde que assumiu o projeto, Denis Villeneuve sempre deixou claro que sua visão para Duna era limitada a três filmes. Mais do que uma decisão prática, trata-se de uma escolha criativa: encerrar a história de Paul Atreides no ponto em que ela se torna mais ambígua e provocativa.
Essa abordagem diferencia a franquia de muitas outras produções contemporâneas, que frequentemente se estendem além do necessário. Aqui, a proposta é entregar uma narrativa coesa, com começo, meio e fim bem definidos — ainda que esse fim não seja necessariamente confortável.
Após o sucesso estrondoso de Duna: Parte Dois, tanto de crítica quanto de público, a pressão por um desfecho à altura é inevitável. Mas, se o trailer serve como indicativo, Villeneuve parece disposto a correr riscos e entregar algo que vá além do espetáculo visual.